Vagões começam a ser retirados de Campos dos Goytacazes
Com informações do Portal J3 News
Imagem de capa: Portal J3 News
Uma parte importante da memória ferroviária de Campos dos Goytacazes está prestes a desaparecer da paisagem urbana da cidade. Segundo apuração exclusiva do portal J3News, teve início a retirada de 32 vagões considerados inservíveis que permaneciam armazenados na área da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), localizada no município do Norte Fluminense. Os equipamentos foram vendidos e estão sendo encaminhados para o Espírito Santo, onde deverão receber destinação adequada por meio de processos de reaproveitamento e reciclagem de materiais metálicos.
A informação foi confirmada ao J3News pela VLI, empresa responsável pela administração da malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A ferrovia surgiu durante o processo de desestatização da antiga Rede Ferroviária Federal, ocorrido em 1996, e desde 2011 encontra-se sob gestão da VLI, uma das maiores companhias de logística integrada do país.
A retirada dos vagões chamou a atenção de moradores e entusiastas da história ferroviária local. Durante décadas, o pátio ferroviário de Campos acumulou locomotivas, vagões e outros equipamentos que testemunharam diferentes fases da evolução do transporte ferroviário na região. Muitos desses veículos permaneceram abandonados após a redução das operações ferroviárias de passageiros e a reestruturação do sistema nacional de cargas.
Ao visitar o local, a equipe do J3News constatou que ainda permanecem diversos vagões armazenados na área. Entretanto, a expectativa é de que a maior parte desse material seja removida ao longo dos próximos meses.
Segundo informações repassadas pela VLI, uma empresa especializada foi contratada para realizar a destinação ambientalmente adequada dos ativos considerados sem condições de recuperação operacional. Os trabalhos teriam sido iniciados em março deste ano e incluem desmontagem, corte e transporte dos equipamentos.
Em entrevista ao J3News, o empresário responsável pela aquisição dos materiais explicou que a operação exige equipamentos específicos para o processamento das estruturas metálicas.
“Nossa empresa possui maquinário adequado para realizar o corte desse tipo de material ferroviário, permitindo seu transporte em carretas para o Espírito Santo”, relatou.
A remoção dos vagões ocorre em meio a discussões recorrentes sobre a preservação do patrimônio ferroviário brasileiro. Em diferentes regiões do país, associações de preservação, museus ferroviários e grupos de pesquisadores têm defendido que equipamentos históricos sejam avaliados individualmente antes de qualquer processo de descarte, especialmente quando existem exemplares raros ou representativos de determinados períodos da história ferroviária nacional. No caso de Campos dos Goytacazes, o antigo complexo ferroviário possui relevância histórica por ter integrado importantes ligações ferroviárias do Norte Fluminense ao longo do século XX, desempenhando papel fundamental no transporte de passageiros, produtos agrícolas e mercadorias.
A operação de retirada dos vagões, entretanto, sofreu um contratempo recente. Conforme informou a VLI ao J3News, os trabalhos precisaram ser interrompidos após um incêndio registrado no pátio ferroviário no último sábado, dia 16.
De acordo com a companhia, foram identificadas atividades que não estariam previstas contratualmente e que teriam sido executadas por terceiros ligados à empresa responsável pelos serviços. Em nota enviada ao portal, a VLI informou que a operação foi suspensa e que medidas judiciais estão sendo adotadas para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
“A operação precisou ser interrompida, uma vez que tal empresa, por intermédio de terceiros, realizou atividades não autorizadas e fora das especificações contratuais. A VLI agora irá adotar as medidas cabíveis em âmbito judicial“, declarou a concessionária.
O episódio reacendeu preocupações relacionadas à segurança operacional em áreas ferroviárias desativadas e ao manejo adequado de estruturas metálicas de grande porte, especialmente em locais que ainda guardam remanescentes históricos da antiga Rede Ferroviária Federal. Apesar da retirada dos vagões, o pátio ferroviário ainda conserva elementos que remetem à importância histórica da ferrovia para Campos dos Goytacazes. Trilhos, edificações, estruturas operacionais e outros equipamentos permanecem no local como testemunhos de uma época em que os trens desempenhavam papel central na integração econômica e social da região.
Segundo o J3News, uma reportagem especial sobre a situação atual da antiga ferrovia será publicada nos próximos dias, reunindo registros fotográficos inéditos e um panorama mais amplo sobre o estado de conservação do complexo ferroviário campista. A discussão também reforça um tema recorrente entre pesquisadores e preservacionistas: o desafio de equilibrar a destinação de materiais considerados inservíveis com a necessidade de preservar elementos representativos da memória ferroviária brasileira para as futuras gerações.
