Conheça as empresas do consórcio Nova Via Mobilidade, sucessora na operação ferroviária no Rio

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📆 11/02/2026
⏱️ 22h22
📷 Jos Henr, enviada por Filipe (Wikipedia)

O processo de transição da concessão dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro revelou os nomes das empresas que poderão assumir a operação do sistema ferroviário fluminense. Entre elas estão dois fundos de investimento (criados recentemente, no mês de janeiro de 2026), a empresa MPE Engenharia  e o Grupo Barraqueiro, maior operador privado de mobilidade de Portugal e um dos principais conglomerados europeus do setor de transporte de passageiros.

A empresas integram a estrutura societária da Nova Via Mobilidade, consórcio que surge como protagonista na futura operação do sistema ferroviário atualmente concedido à SuperVia, em meio ao processo de reestruturação conduzido pelo Governo do Estado.




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MPE Engenharia e Serviços: empresa brasileira de infraestrutura

Entre as empresas que compõem o consórcio Nova Via Mobilidade, apontado como futuro operador do sistema ferroviário metropolitano do Rio de Janeiro, está a MPE Engenharia e Serviços, companhia brasileira com atuação nacional no setor de infraestrutura e construção pesada.

Com presença consolidada em diferentes segmentos estratégicos da economia — como energia, petróleo e gás, aeroportos, transportes, indústria e empreendimentos públicos — a MPE passa a integrar um dos processos mais relevantes da mobilidade urbana fluminense: a transição da permissão da concessão dos trens metropolitanos atualmente operados pela SuperVia.

Perfil corporativo e atuação nacional

A MPE Engenharia atua em todo o território nacional com foco em projetos de engenharia, construção, montagem industrial, instalações técnicas, concessões e contratos no modelo EPC (Engineering, Procurement and Construction). Esse modelo envolve a responsabilidade integral pela concepção, fornecimento de equipamentos e execução de obras, o que exige elevada capacidade técnica e estrutura organizacional robusta.

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Imagem: MPE Engenharia

De acordo com informações institucionais, a empresa conta com um corpo técnico formado por mais de 350 engenheiros e técnicos especializados, além de profissionais com formação superior em diversas áreas complementares. A atuação da companhia abrange desde projetos industriais complexos até contratos públicos de grande porte.

No setor de transportes, a MPE acumula experiência relevante em obras de infraestrutura metroviária e ferroviária. A empresa já participou de empreendimentos ligados à expansão e modernização de sistemas urbanos sobre trilhos, incluindo contratos associados ao Metrô de São Paulo, um dos maiores sistemas metroferroviários da América Latina. Essa experiência técnica pode representar um diferencial importante na futura operação e manutenção do sistema ferroviário do Rio de Janeiro.

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Experiência em contratos públicos e infraestrutura crítica

Ao longo das últimas décadas, a MPE consolidou presença em projetos estratégicos ligados à infraestrutura nacional. Seu portfólio inclui obras nos setores:

  • Petroquímico e óleo & gás

  • Energia e geração elétrica

  • Aeroportuário

  • Siderurgia

  • Hospitalar

  • Transporte urbano e industrial

  • Instalações prediais e centros administrativos

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Imagem: MPE Engenharia

A diversificação de áreas demonstra capacidade de adaptação a diferentes ambientes regulatórios e operacionais — característica fundamental para atuar em concessões públicas de transporte, onde coexistem exigências técnicas, contratuais e sociais.

A empresa também desenvolve projetos com foco em sustentabilidade e responsabilidade socioambiental, alinhando-se às exigências atuais de governança corporativa (ESG), cada vez mais presentes em contratos de concessão e parcerias público-privadas.

Grupo Barraqueiro: um grupo centenário no setor de transportes

Fundado em 1915, o Grupo Barraqueiro consolidou-se ao longo de mais de um século como referência em mobilidade integrada. Com origem no transporte rodoviário de passageiros, a empresa expandiu suas atividades a partir da década de 1980, diversificando sua atuação para outros modais, incluindo ferroviário, metroviário e fluvial.

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Metro do Porto sobre a Ponte Luís I. Imagem: Issuu

Hoje, o grupo emprega cerca de 9 mil colaboradores e opera uma frota superior a 4.500 veículos, distribuídos entre ônibus urbanos e intermunicipais, trens, metrôs e embarcações. Segundo dados institucionais, suas operações percorrem anualmente mais de 200 milhões de quilômetros, transportando aproximadamente 300 milhões de passageiros.

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Metro Transportes do Sul, uma das áreas de operação metroviária do Grupo Barraqueiro em Portugal. Imagem: Divulgação

Essa escala operacional posiciona o Barraqueiro como um dos principais players da mobilidade em Portugal e como um operador com experiência relevante em ambientes urbanos complexos — característica estratégica para um sistema como o do Rio de Janeiro.

Presença internacional e atuação no Brasil

Além de Portugal, o grupo mantém operações no Brasil e em Angola, reforçando sua vocação internacional. No mercado brasileiro, a empresa já acumula experiência em transporte urbano e metropolitano, fator considerado relevante no contexto da possível assunção da operação ferroviária fluminense.

A expansão internacional do grupo ocorreu de forma gradual e estratégica, priorizando contratos de concessão e parcerias público-privadas. Esse modelo de atuação é semelhante ao que estrutura o sistema ferroviário do Rio, atualmente sob concessão estadual e em processo de transferência de operador.

Experiência multimodal e desafios no Rio

A eventual entrada do Grupo Barraqueiro no comando da operação dos trens metropolitanos do Rio ocorre em um momento crítico para o sistema ferroviário estadual. A malha enfrenta desafios estruturais históricos, necessidade de investimentos contínuos, recuperação de confiabilidade operacional e reconstrução da relação com os usuários.

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O histórico do grupo português demonstra experiência na gestão integrada de diferentes modais, especialmente em sistemas metropolitanos. Entretanto, a operação no Rio de Janeiro apresenta especificidades relevantes:

  • Infraestrutura antiga e com passivos acumulados;

  • Alta demanda concentrada em horários de pico;

  • Necessidade de integração tarifária e tecnológica;

  • Ambiente regulatório complexo;

  • Sensibilidade social e política elevada.

A experiência internacional pode representar um diferencial técnico, mas o sucesso da operação dependerá também da relação contratual com o poder concedente, do equilíbrio econômico-financeiro da concessão e da capacidade de investimento no curto e médio prazo.

Mobilidade como ativo estratégico

Em sua comunicação institucional, o Grupo Barraqueiro enfatiza a mobilidade como elemento central para a sustentabilidade ambiental, coesão territorial e competitividade econômica. Essa visão dialoga diretamente com os desafios enfrentados pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde o transporte ferroviário é essencial para milhões de trabalhadores.

A substituição da atual concessionária por um novo operador ocorre dentro de um modelo que busca garantir continuidade do serviço, estabilidade jurídica e melhoria da qualidade operacional. A presença de um grupo com mais de 100 anos de atuação no setor pode representar uma tentativa de conferir maior robustez técnica e financeira ao novo consórcio.

O que esperar da Nova Via Mobilidade

O consórcio Nova Via Mobilidade reúne investidores nacionais e estrangeiros com foco no setor de transportes. A participação do Grupo Barraqueiro indica que a operação poderá contar com expertise internacional em mobilidade urbana e contratos de concessão.

Ainda assim, o desempenho futuro dependerá de fatores concretos como:

  • Plano de investimentos em frota e infraestrutura;

  • Estratégia de manutenção preventiva;

  • Modelo de governança operacional;

  • Relação com trabalhadores e sindicatos;

  • Transparência na gestão e metas de desempenho.

A transição da concessão dos trens do Rio é um dos movimentos mais relevantes da mobilidade urbana fluminense nas últimas décadas. A entrada de um operador estrangeiro experiente pode inaugurar uma nova fase para o sistema — mas os resultados dependerão menos do discurso institucional e mais da execução prática.

O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio continuará acompanhando os desdobramentos da formação da Nova Via Mobilidade, e trazendo informações sobre todo o processo.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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