A influência de teses de mestrado e livros mal escritos no fracasso ferroviário brasileiro

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✍️ Sam Heughan Niall
📆 12/01/2026
⏱️ 16h59
📷 Imagem ilustrativa gerada por IA (Gemini). As marcas expostas são registradas e de posse de seus detentores. Todos os direitos reservados.

 

“Se você quiser resolver um problema, leia o problema, depois leia o problema, depois leia o problema, depois leia o problema, depois leia novamente o problema, após ler o problema inúmeras vezes, o resultado do problema saltará aos seus olhos e você o resolverá”.

“Professor Waldir Calheiros”

Aparentemente, quando falamos de ferrovias, ninguém leu o problema.




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O motivo do fracasso passado, a partir das políticas equivocadas aplicadas, já foi mostrado aqui inúmeras vezes. Mas e os motivos do fracasso presente? Quais são?

Leiam esse artigo com muita atenção, ele responderá muitas perguntas.

E sobre a imagem de capa, também recomendamos ler o texto para entender o contexto.

Um pouco da história

Primeiro falemos do passado. Desde o início, o Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio sempre tentou entender o que realmente tinha acontecido para as ferrovias no Brasil fracassarem, o que realmente tinha acontecido, as lendas passadas de pessoa para pessoa como a dos empresários de ônibus, coisas que nunca resistiam a uma análise mais minuciosa, e eram repetidas de forma exaustiva como verdades, daí procuramos fontes primárias de informação, para explicar a realidade dos fatos, e o que descobrimos a partir dessas fontes foi estarrecedor.

Começamos com os balanços da RFFSA esmiuçados durante toda a década de 80 na edição especial da Revista Exame, as 500 maiores e melhores empresas do Brasil, que mostrou o desastre empresarial da RFFFA.

Ouvimos também relatos de pessoas que trabalharam lá na época e descreviam o que viveram sem qualquer emoção, apenas descreviam.

  • O Sr. Augusto Santoro foi uma dessas pessoas, comparamos esses relatos com os documentos para aferir a veracidade dos relatos.
  • O relato de um engenheiro, que entre 1965 e 1966 foi estagiário da E.F. Leopoldina e responsável direto pela erradicação da E.F. Cantagalo, sendo a primeira pessoa a falar da Guerra das Bitolas e dos Homens de Ferro, foi esclarecedor; o tempo mostrou por meio de diversas evidências como ele tinha razão.

A partir de publicações existentes no Clube de Engenharia, descobrimos personalidades desconhecidas como Carlos Alberto Morsing, e debates promovidos entre Conrad Niemeyer, Paulo de Frontin, Morsing e outros defendendo a adoção da bitola métrica nos trilhos da então EFCB. Alguém já ouviu falar disso? Para nossa surpresa, segundo o funcionário do Clube de Engenharia que nos atendeu, as consultas àquela documentação eram algo extremamente raro.

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Prédio sede do Clube de Engenharia, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro

E nossa mestranda favorita afirmando que o Brasil tinha ficado “refém da bitola métrica”. Onde será que essa Sra. conseguiu suas informações.

E eis que descobrimos livros e trabalhos escritos por pessoas sérias e proeminentes, mas que são completamente desconhecidas pela maioria daqueles admiradores das ferrovias e daqueles que escrevem sobre elas:

Delio Araujo

O sr. Delio Araujo foi um brilhante pesquisador, mostrou o uso da bitola métrica em diversos países que estão funcionando muito bem, obrigado, e sendo ampliadas sem nenhum problema, além dos erros da implantação desnecessária no Brasil em alguns locais da bitola larga, que nada tem de “charmosa” como alguns dizem. Mostrou como era utópica e inoportuna a previsão de uso da bitola larga em diversos projetos ferroviários espalhados pelo Brasil. Sr. Delio já faleceu e toda a sua pesquisa foi entregue à PUC Goiás, segundo seu filho.

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Delio Araujo

Aos interessados, pesquisem em nossa página o nome do sr. Delio e aparecerão os quatro artigos dele que publicamos.

Rafael Prudente Corrêa

Esse Sr. escreveu um artigo publicado por nós, onde, por meio de balanços, mostra que a crise de 1929 não impactou nossas ferrovias no grau em que é espalhado, isso pela diversidade de produtos transportados.

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Para isso, apresenta gráficos tirados de balanços das ferrovias da época.

As Ferrovias Paulistas e a Crise do Café

Esse texto é um primor e mostra, mediante balanços, que o que muitos dizem sobre as ferrovias paulistas é pura ficção.

Ademar Benévolo

Esse Sr. é “Hors Concours”, Sr. Ademar escreveu o livro Introdução à História Ferroviária do Brasil em 1953 e faleceu infelizmente em 1954. Já dissemos e vamos repetir. Esse livro é tão importante para o setor como a Pedra de Roseta foi para as expedições arqueológicas.

Este, e outros livros e publicações, podem ser consultadas na Biblioteca Digital Trilhos do Rio, confiram!

Biblioteca Digital Trilhos do Rio

De forma didática, Sr. Ademar explica a história das ferrovias e, por conseguinte, a história do Brasil.

Texto, Carta

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O Sr. Ademar apresenta informações ainda hoje inéditas, mostrando o início do uso político das ferrovias e o quanto isso impactou negativamente o setor:

  • O tabelamento dos fretes, por parte do governo, usado como moeda política e que descapitalizou as empresas.
  • O número excessivo de funcionários da EFCB, já naquela época.
  • As obras inúteis.

Além de transcrever relatos de Paulo de Frontin e de outras personalidades, relatos esses totalmente desconhecidos da maioria.

Querer entender a história do Brasil contemporâneo sem ler esse livro do Sr. Ademar é um enorme ato falho.

Bruno Hauck

O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio tem diversos associados que constantemente fornecem informações valiosas. Bruno Hauck é um deles, mostrou como nossos ferroviaristas e ferroviários enxergam o mundo por lentes bem limitadas, todos falam da ANTRAK e das ferrovias americanas, mas ninguém comenta do sistema ferroviário espanhol e do quanto poderíamos aprender com eles, o “Estilo Leopoldina de Ser” composto de ferrovias mistas em bitola métrica, está todinho lá.

Abaixo, textos publicados pelo Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio, onde é mostrado o estilo Leopoldina de ser, que gerou enorme riqueza para as cidades do interior do Brasil e que, por desconhecimento dos burocratas, foi extinto.

O Estilo Leopoldina de ser – Parte 01

O Estilo Leopoldina de ser – Parte 02

Diversas informações sobre as ferrovias espanholas foram fornecidas pelo Bruno, informações que nunca apareceram em outras publicações sobre o assunto.

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Bruno Hauck

A bitola métrica, demonizada pelos nossos pseudossábios, na Espanha e no Japão, existe convivendo com a bitola Standard sem problema algum.

O Ato das bitolas, lei inglesa do século XIX, que padronizou as bitolas na Inglaterra, optando pela bitola estreita inglesa que se transformou na bitola Standard atual, nos foi apresentado por ele.

E, lamentavelmente, tirando o Bruno, que é um jovem pesquisador vivo, ninguém, absolutamente ninguém, que se diz entendedor do setor ferroviário, conhece os escritos das pessoas citadas aqui.

Fica a pergunta de milhares de reais: com tanta fonte primária de qualidade, textos de gente como Paulo de Frontin, por que se fala tanta bobagem sobre o setor? Será que esse pessoal acha que sabe mais do que Paulo de Frontin? Será mesmo que eles sabem quem foi Paulo de Frontin?

Querem conhecer um pouco de Paulo de Frontin? Leiam o texto abaixo.

A Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil e Paulo de Frontin

Sobre essa questão das bitolas, a bitola larga tem inúmeros e ferrenhos defensores, mas nenhum deles comenta ou mesmo sabe que os custos de implantação da bitola larga, quando se calcula o custo da brita, essa brita pela quantidade usada, tem um custo 50% maior do que quando se usa a bitola métrica, ou que é preciso raios de curva bem maiores, para usar bitola larga, o que aumenta o custo também, com cortes de terreno. Mas isso é detalhe, afinal, na cabeça dessa gente que nunca pensa em conceder à iniciativa privada a construção de ferrovias, o governo é quem vai pagar, mas acontece que neste caso o governo somos nós.

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Deveriam ler Frederic Bastiac. Será que essas pessoas ao menos sabem quem foi Frederic Bastiac, e quais foram as suas ideias?

Foto em preto e branco de homem pousando para foto

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Fr%C3%A9d%C3%A9ric_Bastiat

Nenhuma dessas pessoas também fala que a Estrada de Ferro Vitória x Minas, uma das ferrovias mais produtivas do Brasil, é em bitola métrica.

Trem passando em trilho perto de ponte

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O Presente. E de onde surge tanta bobagem?

 

“O importante é controlar a narrativa e não contar a verdadeira história”

Autor Desconhecido

 

Essa frase resume bem o que acontece hoje no setor ferroviário, e no Brasil na totalidade, e não é de hoje, onde o que vale é a narrativa.

Podemos começar dizendo que o papel aceita qualquer coisa e recebemos de diversos colaboradores teses de mestrado e TCCs sobre ferrovias, e algumas verdades precisam ser ditas.

As únicas instituições de ensino hoje no Brasil que produzem um material de qualidade, quando contam a história da decadência econômica dos municípios mineiros por conta da erradicação das ferrovias, são a UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora e a UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto. Tirando essas duas, a maioria dos trabalhos produzidos por outras universidades tentando explicar o declínio das ferrovias é puro lixo. São tão ruins que tem como única utilidade o uso em banheiros, nada mais.

Infelizmente acontece aquela prática, de que em terra de cego quem tem um olho é rei. Como a maioria não conhece a verdade, verdade essa mostrada pelos pesquisadores citados e pelo que existe publicado no Clube de Engenharia, material solenemente ignorado pelos pseudos pesquisadores, a maioria aceita como verdade o que essas teses de mestrado apresentam e que são verdadeiras abominações.

O pessoal da antiga VALEC atual INFRA, a maioria concursados, ao fazerem concurso, recebem uma quantidade de livros para estudar, alguns baseados nessas teses de mestrado completamente absurdas, sem nenhum conteúdo sério, conteúdo absolutamente fantasioso, e isso impacta na forma errada como essas pessoas enxergam o setor.

A UnB e o Cebraspe

Texto, Logotipo

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https://www.cebraspe.org.br/

Dentro do organograma da UnB existe uma instituição chamada Cebraspe, essa instituição tem sido a responsável por fazer a seleção para diversos órgãos federais, organizando concursos públicos para esses órgãos, para isso seleciona livros para que os candidatos estudem, no caso como exemplo, dos concursos da VALEC.

Trilhos do Rio teve, por meio de seu canal do Facebook, um participante que era funcionário da antiga VALEC, e era lamentável o que esse cidadão cheio de si por ser aprovado em um concurso público falava. De tanto mostrarmos seus erros, ele desapareceu. Desapareceu do nosso grupo, mas continua na Infra com suas ideias equivocadas.

Nunca discuta com quem nada entende

Por Helen Miren, uma ótima atriz e uma pessoa de bom senso.

Antes de discutir com alguém, pergunte a si mesmo: essa pessoa tem capacidade suficiente para compreender uma perspectiva diferente? Ele tem alguma chance de abandonar sua ideologia ou opinião?

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Ela parte das mesmas premissas, ela conhece rudimentos de método científico?

Porque, se não tiver, simplesmente não vale a pena continuar discutindo. Não perca seu tempo e o dele.

Nem toda discussão merece sua energia e empenho.

Às vezes, não importa o quão claramente você se expresse.

A outra pessoa não está ouvindo para entender, ela está ouvindo para reagir e tomar a palavra.

Ela está presa à própria perspectiva, sem disposição para considerar outro ponto de vista, e se envolver com alguém assim só te esgota.

Há uma diferença entre um debate saudável e uma discussão inútil.

Uma conversa com alguém de mente aberta, que valoriza o crescimento e a compreensão, pode ser enriquecedora, mesmo que vocês não concordem.

Mas como tentar argumentar com alguém que se recusa a enxergar além das próprias crenças? É como falar com uma parede.

Não importa quanta lógica ou verdade você apresente, essa pessoa vai distorcer, desviar ou ignorar suas palavras, não porque você esteja errado, mas porque ela não está disposta a considerar outro lado.

Maturidade não é sobre quem vence uma discussão, é sobre saber quando uma discussão não vale a pena.

É entender que sua paz vale mais do que provar algo para alguém que já decidiu que não vai mudar de opinião.

Nem toda batalha precisa ser travada.

Nem toda pessoa merece uma explicação sua.

Às vezes, a atitude mais forte que você pode tomar é simplesmente ir embora.

Não porque você não tenha o que dizer, mas porque reconhece que algumas pessoas não estão prontas para ouvir.

E esse não é um peso que você precisa carregar.

Um filme profético, uma verdade inconveniente.

Alguém conhece o filme abaixo? Acreditem, mostra muito do Brasil e do mundo atual e muito das pessoas que vivem nele. Por incrível que pareça.

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O setor ferroviário está assim, repleto de pessoas bem-intencionadas falando bobagem, sem saber o que estão falando. Essas pessoas, por diversos motivos, conseguem cargos públicos ou baseados no fato de terem sido funcionários da RFFSA, usam isso como prova de competência e conhecimento do setor e apresentam as suas propostas sem qualquer viabilidade, e nada acontece.

Vejam o que aconteceu com a comissão pro-ferrovias de Minas Gerais, que, a partir de premissas equivocadas fornecidas por ex-funcionários da RFFSA, mas sem qualquer experiência empresarial, fez com que a comissão nada apresentasse de concreto durante quatro anos. E existem outros inúmeros casos.

A postagem abaixo ilustra bem essa situação.

O multiverso da loucura, o Brasil da realidade paralela, sua distopia, e as ferrovias

Essa história dos trens com seus defensores que nada conhecem da realidade do setor lembra um debate acontecido recentemente na câmara de deputados, entre um deputado que também é veterinário e um burocrata de carreira, que certamente nunca sujou os sapatos dentro de uma roça, afirmando que leite em pó não é leite, dizendo que tal informação partiu de um colegiado e declamando suas qualificações que nada tinham a ver com o setor agrícola.

Essa é a triste realidade do setor ferroviário.

E só para informação, leite em pó é leite sim, apenas a sua água é evaporada. A água representa 87% do leite.


Autor

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    Engenheiro, pesquisador, ex-professor assistente da Universidade de Limerick, já aposentado, morou no Brasil, costuma escrever sobre atualidades e sobre história.

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