Whey Protein e a sua relação com as ferrovias
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✍️ Sam Heughan Niall
📆 27/01/2025
⏱️ 19h00
📷 Blog Sanavita
Whey Protein. O que é?
E o que isso tem a ver com as ferrovias?
Texto dedicado ao Professor Roberto Herminio Moretti, um gênio brasileiro. Engenheiro de Alimentos, podemos dizer que representa para a Engenharia de Alimentos o que Cesar Lattes representou para a física no Brasil ou Einstein para a física no mundo. Uma pena que o Brasil não reconheça seus gênios e seus heróis. Só lembrando que Cesar Lattes foi candidato a dois prêmios Nobel de Física e não ganhou, segundo alguns, por questões políticas. O professor Moretti criou uma indústria bilionária e seu nome nunca é citado. Nós aqui o citaremos.

Whey Protein, o que é?
Whey Protein, a tradução dessa palavra significa “proteína de soro de leite”, portanto, um derivado do leite.
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Todos sabiam?
Para falarmos do Whey Protein, vamos falar sobre o leite, o que é, e o que compõe o leite.
O Leite
O leite é um produto produzido pelas fêmeas dos mamíferos para alimentar seus filhotes, isso inclui as mulheres. Os leites mais consumidos pelos homens são os leites de vaca e de cabra.
O leite é composto de 87% de água e tem na sua composição gorduras, carboidratos, proteínas, vitaminas, minerais, aminoácidos e mais diversos outros ingredientes. Tomar leite e seus derivados faz muito bem.
Ao produzir o queijo, qualquer um deles, o leite se “talha”, são separados os sólidos que produzem o queijo que posteriormente passa por uma série de sequências de tratamento, produzindo queijos diferentes, do chamado soro, mesmo assim esse soro que é descartado ainda possui uma série de nutrientes.
E o que se fazia e ainda se faz com esse soro? Quando não aproveitado, ele é descartado.
Eis que surge o Whey Protein
O Whey Protein, não com esse nome, surge em algum momento no século XVIII, quando um dos maiores químicos da história, Carl Wilhelm Scheele, se interessa pelo soro do leite e o estuda, descobrindo com o ferramental de sua época sua composição. Se você usa roupas brancas, agradeça a Scheele, ele descobriu o cloro, produto base de alvejantes e muitas outras coisas mais.

Em 1931, Gerhard Hannappel, da Alemanha, registra a primeira patente para extrair e purificar a proteína do soro, tornando-a mais útil.
Finalmente, na década de 70, o engenheiro Roberto Hermínio Mouretti desenvolveu um método para filtrar, concentrar e desidratar a proteína do soro, melhorando o sabor e a durabilidade, o que foi crucial para a popularização.
Vejam abaixo o vídeo onde ele mesmo conta a origem desse produto.
Esse vídeo é um corte, o vídeo completo está disponível no Youtube, onde o engenheiro Roberto Mouretti conta um pouco de sua vida e de suas realizações, que não são poucas.
O Whey Protein foi uma das maiores descobertas da engenharia de alimentos, um produto que era jogado fora, e a partir das pesquisas do engenheiro Roberto Hermínio Mouretti, virou uma indústria bilionária.
Quem primeiro, na época moderna, criou um produto que podemos considerar o avô do Whey Protein, na década de 50, foi o fisiculturista americano Bob Hoffman. Ele lançou um produto chamado Hi-Proteen, um shake de proteínas que nada tinha a ver com o Whey Protein, mas teve o mérito de criar um mercado com foco em atletas de academia.
As primeiras empresas americanas a produzir o Whey Protein, como o conhecemos hoje, o fizeram a partir da década de 70, já com a tecnologia criada pelo engenheiro Roberto Hermínio Mouretti. Foram a Twinlab, Universal Nutrition, Nature’s Best e algumas outras.
Quando um brasileiro descobre algo, ele normalmente não recebe apoio das pessoas do seu país. O reconhecimento geralmente vem de fora. A Coca-Cola, que tinha a patente, vendeu a ideia para laboratórios dos Estados Unidos que se interessaram primeiro e perceberam que o produto tinha muito potencial. Pesquisem a vida do Padre Roberto Landell de Moura e entendam o que foi escrito aqui.
Mas trazendo o assunto para o Brasil, vamos fazer algumas perguntas:
Alguém já observou que Minas Gerais, dona da maior bacia leiteira do Brasil, estado que sozinho produz mais de 27% da produção nacional de leite, e consequentemente do queijo consumido no Brasil e que por conta disso tem uma quantidade descomunal de soro, não tem uma única fábrica de Whey Protein?
Alguém já se deu ao trabalho de procurar a origem de seu Whey Protein? TODOS são fabricados de São Paulo para o sul, inclusive no Paraná, vejam a tabela abaixo:
| Empresa | Cidade/Estado |
| Integralmedica | Embu-Guaçu, São Paulo |
| Max Titanium | Matão, São Paulo |
| DUX Human Health | Jundiaí, São Paulo |
| Growth Supplements | Tijucas, Santa Catarina |
| Vitafor | Araçoiaba da Serra, São Paulo |
| Probiótica | Matão, São Paulo |
| Atlhetica Nutrition | Matão, São Paulo |
| Nutrata | Xaxim, Santa Catarina |
| Dark Lab | Salto, São Paulo |
| Essential Nutrition | Florianópolis, Santa Catarina |
| Black Skull USA | Embu das Artes, São Paulo |
| Sooro Renner | Francisco Beltrão, Paraná. |
Perceberam mais uma vez a competência daquele povo e a nossa incompetência? E a incompetência também de nosso vizinho? Falamos sobre o assunto em um artigo recente, confiram!
A Piracanjuba se aproveitando de suas instalações, tem fabricado Whey Protein e fornecido para outras empresas que aditivam, reembalam e revendem o produto. Poderiam fabricar em Três Rios-RJ.
O SENAI tinha uma unidade de alimentos e fechou. Onde estavam os políticos do estado do Rio de Janeiro, que poderiam ajudar a contornar esta situação? Provavelmente, eles nem sabem disso.
Vamos fazer o tico e o teco de alguns entenderem e funcionarem: temos ao nosso lado um estado com a maior bacia leiteira do Brasil, produzindo mais de 27% da produção nacional, estado que fornece o leite para a maioria das fabricas de leite em pó, leite de saco queijos e iogurtes produzidos no estado do Rio de Janeiro, no caso dos queijos isso gera um descarte absurdo de soro, e não temos no estado do Rio de Janeiro ou de Minas Gerais uma única fábrica de Whey Protein, produto que hoje já saiu das academias e entrou no lar de diversas pessoas, tendo disponível na Internet uma série de receitas de bolo usando esse produto, além de ser usado como suplemento alimentar por pessoas que nada tem a ver com academias.
Qual é a lógica disso?

Leites de saco que ainda são produzidos no estado do Rio de Janeiro. O único produzido com leite de vacas do Rio de Janeiro é provavelmente o Boa Nova, produzido em Valença, município que concentra o maior plantel de bovinos produtores de leite do estado do Rio de Janeiro.
E onde entram as ferrovias nisso?
Em um passado recente, um dos administradores da fábrica de leite Piracanjuba, situada em Três Rios, afirmou que “a produção dessa fábrica seria limitada, devido à necessidade de trazer leite apenas de regiões próximas”, algo que, sem dúvida, não ocorreria caso as ferrovias na região fossem reabertas.
A Piracanjuba é aquela empresa que construiu uma mega fábrica de queijos no Paraná e adquiriu a antiga fábrica da Nestlé em Três Rios.
Quem sabe, com a reconstrução de algumas ferrovias, isso não poderia trazer para o estado do Rio empresas fabricantes de Whey Protein? Mas também de outros segmentos.


Fabricado nas Oficinas de Engenho de Dentro em 1926
A união empresarial dos estados, do Rio de Janeiro e Minas Gerais, essa é a saída.
Em um projeto futuro, de integração econômica, para ambos os estados, Minas Gerais fornece a matéria-prima e o Rio de Janeiro a industrializa, aproveitando a mão de obra ainda existente com formação metalomecânica no estado e serão usadas as estradas do Rio de Janeiro, principalmente a Dutra, para escoar a produção.
A integração física acontecerá pela reforma das estradas estaduais que se encontram, nas respectivas divisas estaduais, mas que atualmente não têm condições de absorver alto tráfego de caminhões. A proposta da Rodovia das Águas é um exemplo dessa integração.
E, por fim, reconstrução de ferrovias, usando o modelo da E.F. Leopoldina como exemplo.
E tudo isso com investimento privado.
Esse pode ser um modelo a ser seguido de integração econômica.
