Estação Rio d’Ouro começa a ser restaurada e deve ganhar papel cultural na Baixada Fluminense
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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do site ExtraVIP
📆 22/11/2025
⏱️ 22h12
📷 Prefeitura de Nova Iguaçu
Depois de devolver à população de Tinguá um importante patrimônio histórico por meio da criação da Estação da Cultura – Tinguá, em 2023, a Prefeitura de Nova Iguaçu iniciou um novo capítulo na preservação da memória ferroviária da cidade. Desta vez, o foco é a antiga Estação Ferroviária de Rio d’Ouro, que está passando por um processo de restauração com o objetivo de abrigar a futura Estação da Cultura – Rio d’Ouro, segundo informou a Secretaria Municipal de Cultura.
A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura de Nova Iguaçu, com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), por meio da Subsecretaria de Integração Cultural da Baixada Fluminense (Subic BXD), além do apoio técnico do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). O projeto dá continuidade a uma política de valorização de imóveis históricos ligados à formação urbana e ferroviária da Baixada Fluminense.

De acordo com o secretário municipal de Cultura, Marcus Monteiro, a proposta é repetir, em Rio d’Ouro, o modelo bem-sucedido implantado em Tinguá, transformando um prédio histórico abandonado em um equipamento cultural ativo, voltado à comunidade local. Segundo o gestor, a futura Estação da Cultura – Rio d’Ouro deverá funcionar como espaço para exposições, atividades educativas, eventos culturais e ações de memória, fortalecendo a identidade histórica do território.
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Um marco da antiga Estrada de Ferro Rio d’Ouro
A Estação Ferroviária de Rio d’Ouro ocupava posição estratégica na antiga Estrada de Ferro Rio d’Ouro, ferrovia criada no século XIX para atender a uma das principais demandas da então capital do país: o abastecimento de água do Rio de Janeiro. Conforme registros históricos do próprio Inepac, a ferrovia foi implantada para transportar materiais e equipamentos destinados às obras dos sistemas de captação e distribuição de água que atendiam a cidade.
A ferrovia foi inaugurada em 1875, inicialmente com a função exclusiva de apoiar as obras de engenharia hidráulica. Somente em 1883 o trecho foi aberto ao transporte de passageiros, passando a desempenhar papel relevante na integração territorial da região. Rio d’Ouro tornou-se, assim, uma das principais estações da linha.
Segundo historiadores ferroviários, a estação era o local onde a linha-tronco se dividia em direção ao ramal de São Pedro, em Jaceruba, e para a represa do Rio D’Ouro, onde existe ate hoje uma parada ferroviária, terminal da linha-tronco original. Essa configuração transformou Rio d’Ouro em um nó logístico relevante, não apenas para o abastecimento de água, mas também para o desenvolvimento das áreas rurais e suburbanas do entorno.
Abandono e recuperação do patrimônio
Com o passar das décadas e a desativação progressiva da Estrada de Ferro Rio d’Ouro, a estação acabou entrando em um longo período de abandono. Como ocorreu com diversos imóveis ferroviários no estado do Rio de Janeiro, o prédio sofreu com a degradação física, a perda de elementos arquitetônicos originais e a ausência de uso público.
A restauração agora em curso busca reverter esse processo, respeitando as características históricas e arquitetônicas do imóvel. Técnicos do Inepac acompanham as intervenções, garantindo que a recuperação preserve a autenticidade do edifício, desde a volumetria original até detalhes construtivos característicos do período ferroviário do século XIX.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura e pelo Inepac, a proposta não se limita à recuperação física do prédio. A futura Estação da Cultura – Rio d’Ouro deverá funcionar como instrumento de educação patrimonial, aproximando a população da história ferroviária, do papel da ferrovia no abastecimento de água do Rio de Janeiro e da formação urbana da Baixada Fluminense.
Cultura, memória e desenvolvimento local
Especialistas em patrimônio cultural avaliam que a reutilização de antigas estações ferroviárias como centros culturais tem se mostrado uma estratégia eficaz para requalificar áreas históricas, estimular o turismo cultural e fortalecer o sentimento de pertencimento das comunidades locais. Segundo experiências semelhantes em outras cidades brasileiras, esses espaços tendem a se tornar polos de convivência, formação artística e valorização da memória coletiva.

No caso de Nova Iguaçu, a restauração de Rio d’Ouro se soma a um conjunto mais amplo de ações voltadas à preservação da história ferroviária, considerada fundamental para compreender o processo de ocupação e desenvolvimento da região. A expectativa da administração municipal é que o novo equipamento cultural contribua para dinamizar a economia criativa local e ampliar o acesso da população a bens culturais.
