São Paulo do Sul
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✍️Sam Heughan Niall
📆 19/01/2026
⏱️ 17h00
📷 Portal Zuk
Sim, São Paulo do Sul, mas que estado é esse que brasileiro nenhum ouviu falar? Nada a ver com um projeto que vez ou outra vem à tona: estamos falando do querido estado do Paraná, mas sempre que nos referirmos a esse estado neste texto o chamaremos por este nome: São Paulo do Sul. Não se trata de nenhum demérito, mas do reconhecimento de que aquele povo tem uma capacidade de trabalho e uma competência tão significativa quanto à dos paulistas, e o uso desse termo é o reconhecimento disso.
Mas qual é o motivo disso?
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Vamos entender os motivos históricos:
O território que compreende hoje o estado do Paraná pertenceu a São Paulo até 1853, quando se emancipou de São Paulo pela lei imperial número 704, assinada por D. Pedro II. Era uma comarca e sua sede era em Paranaguá, transferida posteriormente para Curitiba.

Acontece que São Paulo do Sul tem uma população com características bem próprias que deveriam chamar a atenção das populações e dos políticos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. É um estado com uma população parecida com a Paulista com forte descendência italiana, guardem essa informação, além de uma enorme capacidade de trabalho por conta da também forte descendência polonesa, uma capacidade de fazer negócio muito maior que a de cariocas e fluminenses: um povo que valoriza o capitalismo, assim como o paulista, e uma esperteza parecida com a mineira. Quem conhece a história de Cruzeiro, onde um marco em forma de cruz teria mudado de lugar a noite e aumentado o tamanho do estado de Minas Gerais?
Mas por que motivos a população do Rio de Janeiro e de Minas Gerais deve se preocupar?
Vamos aos números.
Área:
O estado de São Paulo do Sul tem uma área de 199.300 km²
O estado do Rio de Janeiro tem uma área de 43 750,425 km²
O estado de Minas Gerais tem uma área de 586.521 km²
Nossos irmãos do sul têm uma área que é quatro vezes maior do que o estado do Rio de Janeiro, podendo ter, além de indústrias, uma enorme pecuária e uma enorme agricultura, além de um clima temperado, tecnicamente chamado de subtropical úmido, propício a diversas culturas, algo que o Rio de Janeiro não tem e, diferente de Minas Gerais, eles têm portos. E tem usado isso ao longo dos anos em favor do estado.
Tem apenas uma população bem menor que a do estado do Rio de Janeiro.
População:
O estado de São Paulo do Sul tem uma população de 11.890.517 habitantes
O estado do Rio de Janeiro tem uma população de 17.223.547 habitantes
O estado de Minas Gerais tem uma população de 21.393.441 habitantes
E agora temos o número mais importante que, no caso de São Paulo do Sul, tem crescido de forma contínua ao longo dos anos e em taxas maiores do que as do estado do Rio de Janeiro. E isso para o estado do Rio de Janeiro é bem preocupante.
A única vantagem que temos é uma população maior, consequentemente um mercado consumidor maior, mas a vantagem se resume a isso.
PIB dos estados:
O estado de São Paulo do Sul teve, em 2024, um PIB de R$ 718,9 bilhões.
O estado do Rio de Janeiro teve, em 2024, um PIB de R$ 1,3 trilhão.
O estado de Minas Gerais teve, em 2024, um PIB de R$ 1,06 trilhão.
Acontece que o PIB de São Paulo do Sul e de Minas Gerais é extremamente diversificado, enquanto o PIB do Rio de Janeiro tem 30% originado do setor de petróleo e gás, é na pratica um PIB concentrado nesse setor. Existem projeções de que, a partir de 2030, essa produção retirada da bacia de Campos tende a decair, e os políticos do estado do Rio de Janeiro têm sido omissos sobre isso, não apresentando propostas de soluções.
Nada tem sido feito para fomentar o desenvolvimento industrial do estado do Rio de Janeiro, e quando o petróleo acabar? Como vai ser? 2030 é logo ali, faltam apenas 4 anos, e o que vai se fazer?
Diferente de seus vizinhos, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que têm forte ascendência alemã, o que caracteriza uma forte indústria metalomecânica gerando empresas como WEG, Eberle, Zivi Hercules, São Paulo do Sul capta empresas de fora.
Mas a forte descendência polonesa cria uma população com enorme capacidade de trabalho. No Paraná, ops, São Paulo do Sul, existe uma grande colônia japonesa, a segunda maior do Brasil depois de São Paulo, mas existe também, uma grande colônia de descendentes de coreanos, segundo dizem maior do que em São Paulo, e o que esse pessoal pode fazer ou mesmo estar fazendo pelo desenvolvimento do estado?
Todos gostam de goiaba? A goiaba que comemos, enorme e saborosa, nada tem a ver com a goiaba cheia de bichos e pequena, encontrada na natureza. Essa goiaba é um híbrido, desenvolvida por colonos japoneses. E o que esperar dos descendentes de japoneses e coreanos que moram nesse estado irmão do Sul?
A industrialização de São Paulo do Sul
Falaremos aqui de várias indústrias, e só de algumas, mas existem muitas outras que se instalaram lá, e é importante que se saiba que muitas delas têm menos de 30 anos no estado, e muitas outras estão chegando.
- A General Electric chegou ao Brasil em 1919, montando um enorme parque industrial no bairro de Maria da Graça, no Rio de Janeiro. Chegou a ter mais de 3000 funcionários, mas a partir da década de 80 lentamente foi desativando unidades, a primeira delas foi a fábrica de medidores, e para onde ela foi? São Paulo do Sul.
- Elevadores Schindler tinha uma moderna fábrica em Campo Grande, bairro do município do Rio de Janeiro. Ao se unir à Atlas, outra enorme fábrica de elevadores resolve construir uma nova fábrica onde? São Paulo do Sul.
- Sandoz, fabricante de fármacos que tinha fábrica no Município de Resende, se une a Ciba-Geigy e cria a Novartis, e onde resolve construir uma mega fábrica que funciona como um dos centros mundiais de pesquisa dessa nova empresa? Sim, São Paulo do Sul.
Podemos falar da Piracanjuba, fábrica de laticínios, que não saiu do Rio de Janeiro, mas resolveu construir em São Paulo do Sul a maior fábrica de queijos do Brasil, dessa vez foi Minas Gerais que perdeu. E aqui falamos da forte presença de descendentes de italianos no estado. Essa fábrica pretende fabricar leite longa vida e mozzarella, e vai atender, além da população local, o estado de São Paulo.
Haja pizza.
Sem contar empresas como Renault-Nissan, Volkswagen-Audi, Volvo, New Holland, Caterpillar; pneus Dunlop, LG, que construíram suas fábricas lá, há menos de 30 anos. Ou da Nissin que teria sido “desaconselhada” a montar sua nova fábrica no Rio de Janeiro e optou por montar uma fábrica supermoderna naquele estado, no município de Ponta Grossa. A CSN Cimentos montou uma fábrica nova no município de Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, um investimento nada desprezível de 3 bilhões.
Perceberam o quanto eles são competentes na captação de empresas? E quando falamos do Rio de Janeiro, qual foi a última empresa a construir sede aqui no estado do Rio de Janeiro nos últimos anos?
Falamos de algumas indústrias instaladas recentemente no Paraná, não citamos as antigas. A Leão Junior de chás é do Paraná e surgiu lá em 1901, a Todeschini Alimentos, uma das primeiras fabricas de macarrão do Brasil criada em 1906 surgiu em Curitiba. A Prosdócimo surgiu como uma rede de lojas e posteriormente monta uma fábrica de geladeiras, depois vendida para a Electrolux. A Cervejaria Adriática de Ponta Grossa surgiu em 1906 e encerrou suas atividades em 1992, A Klabin existe pelo menos a um século, mas a Klabin Papel e Celulose, se instalou no Paraná em 1934.
Aqui só alguns exemplos da pujança industrial do Paraná e o motivo de sempre citarmos o estado como São Paulo do Sul.
Eles são competentes em muitas outras coisas:
- Sabiam que São Paulo do Sul tem os únicos estudos de dublagem fora do eixo Rio x São Paulo, tendo dublado diversos Doramas?
- Criaram a única rede de TV fora do eixo Rio x São Paulo, a CNT.
- A Lava Jato começou lá.
- A primeira faculdade de educação a distância surgiu lá, era a EADCON que infelizmente acabou.
- Mafinha Summer influencer ativo no X e membro do canal Quinto Elemento, é de lá.
Agora vamos ver números preocupantes, em tabela elaborada pelo Jornal Metrópoles:
| Emprego Formal | Bolsa Família | |
| Rio de Janeiro | 3.949.093 | 1.511.598 |
| São Paulo do Sul | 3.314.165 | 569.612 |
| Minas Gerais | 5.060.535 | 1.484.883 |
Quando comparamos a quantidade de pessoas empregadas nesses três estados e vemos a situação do Rio de Janeiro, ela é extremamente preocupante, e ninguém fala nada sobre isso. O estado do Rio de Janeiro está cada vez mais vulnerável e ninguém fala nada, a impressão é que a população do estado vive em um grande céu de brigadeiro.
O Estado do Rio de Janeiro tem uma quantidade de pessoas recebendo bolsa família proporcionalmente comparada aos que tem emprego, maior que os outros dois estados aqui citados, e isso é péssimo, pois essas pessoas possivelmente não produzem.
Os números desastrosos do Estado do Rio de Janeiro se estendem ao IDEB. Em 2023, os resultados mostraram que novamente São Paulo do Sul se sobressaiu, pontuando mais do que o Rio de Janeiro, e isso é muito ruim quando se pensa na criação de novas indústrias, isso influencia na formação de novos operários, enquanto no Rio de Janeiro se prioriza a lacração, com a educação inclusiva, sem explicar o que exatamente isso significa, em São Paulo do Sul se prioriza o ensino.
O desastre educacional do Rio de Janeiro se estende tanto ao ensino médio como ao ensino fundamental. A propaganda que o município do Rio de Janeiro faz, de que o seu ensino é o melhor, usando slogans como “a educação que mais avança no Brasil” ou “a escola do presente e do futuro é carioca”, não se traduz nos números do IDEB.
Sobre a desindustrialização contínua do estado do Rio de Janeiro, uma curiosidade que certamente a maioria não sabe. Próximo ao Shopping Nova América existia a empresa M. Agostini, fabricante das garrafas térmicas Aladim. A empresa, mais uma que saiu do Rio de Janeiro, não sabemos para onde, sua fábrica foi demolida, está virando um conjunto residencial. Mais de 300 empregos se foram, e isso foi recente.
Nossa logística também é muito ruim, e o que foi feito nos últimos 30 anos para melhorar isso?
Essa questão do PIB, que ninguém fica atento, é preocupante. O estado do Rio de Janeiro está passando por um processo contínuo de desindustrialização evidente e nenhum parlamentar discute isso. Só temos no parlamento estadual um único deputado que entende do assunto, mas que infelizmente já está idoso, sendo o deputado mais velho da ALERJ. Brizola ignorava isso, afinal, segundo ele, tínhamos o petróleo e aparentemente os governadores que o sucederam tiveram essa mesma visão.

Infelizmente essa falta de visão existe também na ALMG.
Observem o que um pequeno espaço de tempo pode fazer na economia de um país bem administrado, sem a intenção de elogiar governantes de São Paulo do Sul, mas se continuar assim podem ultrapassar o PIB do Rio de Janeiro com mais indústrias e agricultura. Isso acontecendo, com a queda da arrecadação do Petróleo e Gás, vai ser um desastre para o estado do Rio de janeiro.
PIB em dólar de alguns países, onde esses países chegaram a isso em menos de 50 anos:
Polônia, um PIB em 2024 de 1.039 trilhão.
Israel, um PIB em 2024 de 540 bilhões.
Coreia do Sul, um PIB em 2024 de 1,9 trilhão.
Lembrando novamente que tais valores são em dólar, mas o que surpreende é que tais países chegaram a tais valores, e a tal progresso em menos de 50 anos, no período pós-guerra, e qual o motivo para não conseguirmos chegar lá também?
É interessante que em São Paulo do Sul existe uma quantidade significativa de descendentes de poloneses, e agora de coreanos, não por acaso dois dos países comentados aqui com forte crescimento econômico nos últimos 50 anos, e esse pessoal está fazendo aqui o que seus ascendentes fizeram e fazem em seus respectivos países, o futuro dos Sul-Paulistas promete.
Isso se traduz em melhor qualidade de vida da população. No Rio de Janeiro, existem comunidades que vivem como no século XVII, em locais que parecem ter sido bombardeados.
Em 2002, foi lançado o filme Gangues de Nova York, com Leonardo DiCaprio e Daniel Day-Lewis. O filme em si não tem nada de excepcional, mas sua direção de arte sim, conseguiu recriar a Nova York do início do século XVII, e parece muito com algumas comunidades do Rio de Janeiro atual. Que loucura é essa de alguns setores da sociedade do Rio de Janeiro, chamados de progressistas, exaltarem esses locais onde pessoas vivem uma carência total? Algo que não acontece nos estados do sul, onde existe carência, mas as pessoas têm alguma dignidade em viver, o que não acontece no Rio de Janeiro.

O caso de São Paulo do Sul mostra um crescimento sólido e pujante do estado em diversas áreas, enquanto o estado do Rio de Janeiro não tem projetos de longo prazo em nenhuma área. É preocupante.
Quando se vê essa pujança no PIB de tais países, isso se reflete na qualidade de vida do povo, basta ver na NETFLIX, os Doramas, ver a quantidade de modelos de carros de luxo, todos da Hyundai, ou filmes poloneses e ver imagens do centro de Varsóvia que mais parece a Quinta Avenida em Nova York, enquanto o Estado do Rio tem um número de beneficiários de bolsa família maior do que São Paulo do Sul e Minas Gerais, proporcional ao número de empregados, revejam a tabela, isso não vai acabar bem.
A Hyundai começou a produzir carros na década de 50 com o apoio da Mitsubishi, hoje é a terceira maior montadora de carros do mundo, atrás apenas da Toyota e da Volkswagen. Qual grande empresa produtora de tecnologia surgiu no Rio de Janeiro? Lembrem-se dos descendentes de coreanos e japoneses que moram em São Paulo do Sul e o que eles podem fazer pelo estado. Na agricultura os descendentes de poloneses e ucranianos já estão fazendo. Pesquisem no Youtube ou no Instagram por Murilo Groth, um jovem Paranaense que resolveu ir morar no Mato grosso, e o que ele está fazendo lá? Uma verdadeira revolução na agricultura e na pecuária daquele estado. Veja abaixo da foto um vídeo produzido por ele.
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O Rio de Janeiro já foi o maior produtor de tecidos do Brasil. Quantas fábricas de tecido existem hoje no Rio de Janeiro? Sobrou apenas a Werner, uma pequena fábrica de seda em Petrópolis.
O SENAI tinha o CETIQT no Rocha, uma área enorme com diversos cursos. Se as fábricas fecharam, o CETIQT fechou também, a enorme área foi vendida e o CETIQT se limita hoje a um pequeno prédio na Barra da Tijuca com cursos de modelagem e moda, nada parecido com os cursos de técnicos têxteis do passado.
Fechou também o SENAI de alimentos que existia em Vassouras. Não se trata de mudanças tecnológicas, como, por exemplo, o antigo SENAI dedicado a gráficas na Tijuca que precisou se reinventar por conta da evolução tecnológica. O SENAI de alimentos que existia em Vassouras fechou por falta de indústrias do setor.
Algo precisa ser feito e nossos políticos precisam conhecer essa realidade, é preciso fomentar a criação de empregos.
Uma saída pode ser a integração econômica com Minas Gerais.
E Trilhos do Rio já propôs isso com a Rodovia das Águas e a reconstrução de diversas ferrovias que serviam aos dois estados, com o uso dos portos do Rio de Janeiro por Minas Gerais.
Mas é preciso responsabilidade, não se pode propor utopias. O Polo Rio Cine Vídeo, que a prefeitura do município do Rio de Janeiro construiu, quantos filmes efetivamente produziu? Hoje tem diversos setores fechados, quanto aquilo custou? Responsabilidade é a palavra mágica, foi assim que os países citados chegaram aonde chegaram.

Hoje, São Paulo do Sul tem a quarta maior economia do Brasil, podendo vir a ocupar a terceira e mesmo a segunda posição, ocupada hoje pelo estado do Rio de Janeiro. Se isso acontecer, para o povo do estado do Rio de Janeiro vai ser uma catástrofe. O estado do Rio de Janeiro já é um estado endividado, como vai ser o futuro?
É a hora de se pensar seriamente nisso, produzir ações que mudem esse panorama, sem os discursos ineficazes habituais.
Algo precisa ser feito, as eleições estão se aproximando, que os candidatos não tenham o discurso vazio das palavras de ordem, é preciso ideias e propostas concretas. Sorte para o estado do Rio de Janeiro.
A logística desastrosa do Estado do Rio de Janeiro
A população do estado não percebe, mas já falamos sobre o assunto em um texto aqui do site, e citaremos alguns exemplos mostrando isso.
Alguém conhece o grupo Lactalis? É o maior grupo mundial de laticínios, no Brasil adquiriu marcas como Parmalat, Président, Itambé, Batavo e Elegê, produz queijos, iogurtes e outros lácteos, com unidades em diversos estados do Brasil. No Rio de Janeiro opera a antiga fábrica da Nestlé em Barra Mansa, uma unidade antiga, construída na década de 40, dentro da cidade com poucas possibilidades de crescimento. Obviamente, utiliza leite produzido em Minas Gerais, e esse leite vem de caminhão, diferente do passado, quando vinha de trem.
Observem uma caixa do Leite Elege, que significava originalmente Leite Gaúcho, observem impresso na caixa as unidades da Elege dedicadas à produção de leite e vejam ali a unidade de Barra Mansa e as unidades do Sul, incluindo uma no querido estado do Paraná. É muito pouco provável, pela capacidade de produção que essa unidade de Barra Mansa tem, que ela produza leite em quantidade para abastecer o mercado do Rio de Janeiro. É mais provável que o Leite Elege consumido no Rio de Janeiro venha do Sul. Qual a lógica disso se estamos ao lado de um estado conhecido por ser um grande produtor de leite?

Leite Tirol, alguém conhece? Está na gôndola de mercados como Carrefour e Supermarket, esse leite vem do sul. Novamente a pergunta: qual a lógica disso?

Mas a coisa sempre piora, vamos falar das batatas. Todos comem regularmente batatas fritas, purê ou qualquer outro prato com batatas, mas sabem qual é o maior produtor de batata do Brasil? Sim, aquele estado que nossos formuladores de políticas de transporte e logística ignoram a existência, nosso vizinho Minas Gerais. Em Perdizes, município do triângulo mineiro, fica a maior produção de batatas do Brasil, mas nossa logística porca, faz com que a batata que a população do Rio de Janeiro consuma venha do Paraná. Se alguém duvida, basta comparecer à CEASA e perguntar.

Parabenizamos a CCR/Nova Dutra pela competência em ter transformado a Rodovia Presidente Dutra em um microcosmo de segurança e pela confiança que criou nos usuários, e que agora está construindo uma nova subida e descida da serra das Araras que vai dar mais velocidade e aumentar a segurança do trecho. Mas parabéns aos produtores paranaenses pela competência de trazer seus produtos para o Rio de Janeiro pela Dutra, fazendo um trajeto muito maior do que os que poderiam vir de Minas Gerais, mas que não chegam pela logística sem sentido do estado do Rio de Janeiro.
Vamos entender o tamanho dessa bizarrice:
- Distância Rio de Janeiro x Belo Horizonte: 442 km
- Distância Rio de Janeiro x Curitiba: 842 km
Curitiba é pelo menos 400 km mais distante do que Belo Horizonte. mas os paranaenses conseguem fazer seus produtos chegarem aqui pelo mesmo preço dos produtos mineiros. Palmas para eles pela competência.
Existe Solução?
O ex-ministro e ex-deputado, o economista Roberto Campos, dizia que as saídas do Brasil eram o aeroporto do Galeão, o aeroporto de Cumbica (Guarulhos) e o liberalismo. Infelizmente, já faz mais de 20 anos que ele morreu e os políticos formuladores de política econômica ao nível federal, à exceção de Paulo Guedes durante o governo Bolsonaro, continuam insistindo em teorias econômicas que não nos levarão a lugar nenhum, apenas à miséria.
Ao nível doméstico, para se livrar do desastre que se avizinha no Rio de Janeiro, a recomendação é a Dutra, indo para o interior de São Paulo ou para os estados do sul. Se o frio é aceitável, morar em um daqueles estados essa podem ser as opções.
É imperativo se pensar em soluções, uma delas pode ser uma integração econômica com o estado de Minas Gerais, restaurando ferrovias e implementando rodovias como a rodovia das águas. Essa integração já deveria ter começado e nada tem sido feito, é como se o estado do Rio de Janeiro fosse uma ilha de prosperidade, e não é.
Outras soluções podem ser as ferrovias propostas pela Trilhos do Rio como a para a região dos lagos ou a alternativa a EF-118 ou mesmo o caminho de Morsing, tais ferrovias concebidas como o foram as do início do século, ferrovias mistas, isso pode dar ao Estado do Rio de Janeiro protagonismo na construção de ferrovias visando o desenvolvimento econômico mas integrando a econômica do estado do Rio de Janeiro com Minas Gerais, dando aquele estado a possibilidade de uso dos portos do Estado do Rio de Janeiro, além do acesso aos estados do Sul pelo caminho de Morsing. Propostas existem, basta os governantes as conhecerem e as implementarem.
Projeto Trilhos do Rio III – A Ferrovia da Serra do Mar (parte 1)
Projeto Trilhos do Rio III – A Ferrovia da Serra do Mar (final)
Entendendo que aqui, quando é dito implementarem, se referindo a governos, não significa desembolsarem dinheiro, mas sim dar apoio político e licenças para isso. Não se prevê nessas propostas participação ativa do estado.
A CCR/Nova Dutra é um parceiro preferencial pelo know-how que adquiriu ao longo de anos operando a Rodovia Presidente Dutra. O grupo Ecovias, que opera a ponte Rio-Niterói, também pode participar, além dos empresários do setor rodoviário de passageiros e carga de ambos os estados, algo que foi solenemente ignorado durante a existência da comissão pro-ferrovia de Minas Gerais.
Milagres acontecem. Quem sabe teremos um governador no estado do Rio de Janeiro que faça política, mas que também se preocupe com seu estado.
Aos interessados os assuntos citados aqui como Rodovia das Águas, modelos de negócios onde é mostrado a proposta da Trilhos do Rio para direito de passagem, a proposta do trem para a região dos Lagos, Macaé e Campos, o traçado alternativo a EF-118, entre outros, estão todos publicados na página Trilhos do Rio e alguns links foram replicados aqui, os demais basta procurar.
