Tarifa do metrô do Rio pode chegar a R$ 8,20 em 2026 e reforça debate sobre subsídios

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações da CBN
📆 12/01/2026
⏱️ 23h39
📷 Clarice Castro/GERJ

O metrô do Rio de Janeiro, que já opera com a tarifa mais elevada entre as capitais brasileiras, deverá ter um novo reajuste a partir de abril de 2026. Com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 2025 pelo IBGE, a passagem, atualmente fixada em R$ 7,90, poderá sofrer correção de até 4,26%, conforme previsto no contrato de concessão. Caso o índice seja aplicado integralmente, o valor poderia alcançar R$ 8,24. No entanto, estudos preliminares indicam que o reajuste deverá ser arredondado, fixando a tarifa em R$ 8,20.

A atualização ainda depende da apresentação formal de um estudo técnico por parte da concessionária MetrôRio, previsto para fevereiro. Para que o novo valor entre em vigor, o cálculo precisará ser analisado e aprovado pela Agência Reguladora de Transportes Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) e pela Câmara de Política Econômica do governo estadual.




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Caso se confirme, o reajuste ampliará ainda mais a distância entre o Rio de Janeiro e outras capitais que possuem sistemas metroviários. Atualmente, sete cidades brasileiras operam metrô, com tarifas significativamente inferiores à praticada na capital fluminense. Enquanto no Rio a passagem deve chegar a R$ 8,20, em Belo Horizonte custa R$ 5,80; em Brasília, R$ 5,50 — com gratuidade aos domingos e feriados; em São Paulo, R$ 5,40; no Recife, R$ 4,25; em Salvador, R$ 4,10; e em Fortaleza, R$ 3,60 na Linha Sul. O levantamento considera exclusivamente sistemas metroviários subterrâneos em sua maior abrangência, sem incluir trens urbanos de superfície.

Especialistas apontam que o principal fator para o elevado valor da tarifa no Rio é a ausência de um subsídio público universal. Segundo Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, o reajuste pelo IPCA, embora contratual, tem pressionado cada vez mais o orçamento dos usuários. Para ele, a criação de uma política consistente de subsídios é urgente.

De acordo com o especialista, praticamente todos os sistemas metroviários do mundo contam com algum nível de aporte público para equilibrar custos operacionais e garantir tarifas compatíveis com o poder de compra da população. No Brasil, exemplos como São Paulo, Brasília, Recife e Belo Horizonte adotam subsídios diretos ou indiretos, realidade que não se repete no Rio de Janeiro.

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Atualmente, o único mecanismo de mitigação tarifária no metrô fluminense é a Tarifa Social, voltada a pessoas de baixa renda, com limite de renda mensal estabelecido. O benefício, no entanto, não é universal e não contempla a totalidade dos usuários. Questionado nos últimos meses sobre a ampliação dos subsídios, o governo estadual não apresentou avanços concretos.

Em 2025, chegou a ser anunciada a proposta da chamada Tarifa RJ, que previa a unificação do valor cobrado no metrô, nos trens e nas barcas ao patamar das passagens municipais, hoje em R$ 5. A iniciativa, contudo, foi posteriormente arquivada. Segundo o governador Cláudio Castro, dificuldades fiscais e a situação financeira do Estado inviabilizaram a implementação do programa naquele momento.

Procurado, o MetrôRio informou que o valor definitivo do reajuste ainda não foi estabelecido e que o estudo técnico será encaminhado à Agetransp até meados de fevereiro. A Secretaria Estadual de Transportes também foi acionada para comentar o tema, mas ainda não se manifestou oficialmente.

Além do impacto direto sobre os passageiros, o aumento da tarifa tem gerado preocupação dentro da própria concessionária. Nos últimos meses, o MetrôRio vem alertando o governo estadual para a redução no número de usuários, fenômeno atribuído ao alto custo da passagem. Dados internos indicam que, historicamente, cada reajuste tarifário é seguido por queda na demanda nos meses subsequentes, o que pode comprometer o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.

Embora o número de passageiros tenha se mantido relativamente estável ao longo de 2025, tanto o governo quanto a concessionária trabalhavam com a expectativa de crescimento. A confirmação de uma tarifa ainda mais elevada, sem contrapartida em subsídios ou políticas de incentivo ao transporte público, reacende o debate sobre o modelo de financiamento do metrô no Rio de Janeiro e seus impactos sociais, econômicos e urbanos.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
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