Pague para entrar, reze para chegar: a rotina dos ramais em bitola métrica em 2022

https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2022/01/S5036947.jpg

SAMSUNG DIGIMAX A503

Loading

­
✍️ Redação Trilhos do Rio
📆 11/01/2022
⏱️ 12h00
📷 Daddo Moreira, Equipamentos de sinalização na estação Vila Inhomirim (2012)

No artigo de hoje pedimos que o(a) prezado(a) leitor(a) puxe na memória três lembranças, caso tenham conhecimento:

  • O filme de terror, ambientado em um parque de diversões mais especificamente dentro do brinquedo chamado “Trem-Fantasma”, que tem por base o título desse artigo?
  • O apelido dado aos trens do Ramal Guapimirim, no final da década de 1990 e começo dos anos 2000: “Trem-Fantasma”;
  • O acidente com o Bonde de Santa Teresa, ocorrido no ano de 2011.

No caso do acidente com o bonde de Santa Teresa os prezados leitores tiveram conhecimento que o sistema mecânico do veículo acidentado tinha partes amarradas com arame? Pois é, a história está se repetindo, mas agora no sistema de trens metropolitanos em bitola métrica da SuperVia, nos ramais Saracuruna – Vila Inhomirim e Saracuruna – Guapimirim.




───── INÍCIO DA PUBLICIDADE


───── FIM DA PUBLICIDADE




https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2022/01/110829230011_bonde_304x171_afp.jpg
Acidente com Bonde em Santa Teresa em agosto de 2011 Fonte: AFP via BBC

Recebemos recentemente um vídeo que mostra uma peça de uma das locomotivas, usada no trecho de Guapimirim, amarrada com arame. Provavelmente isso não está certo…

A locomotiva em questão é a de nº 2363, adquirida ainda pela Estrada de ferro Leopoldina nos fins da década de 1950: uma demonstração clara que a SuperVia nunca investiu no arcaico sistema movido pela tração a diesel e, ao que tudo indica, a mesma concessionária não pretende resolver ou ao menos amenizar em nada o problema.

https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2022/01/S5034070.jpg
Locomotiva 2363, ainda na época da operação pela CENTRAL Logística Foto: Daddo Moreira, em 2009

Recentemente uma locomotiva e os carros de passageiros de um trem, que cumpriria o último horário do dia no ramal Guapimirim, apresentaram avaria e o serviço foi cancelado. Os passageiros, que dependeriam do serviço, ficam como? Literalmente a pé, pois nem em dias de manutenção em alguns trechos administrados pela concessionária são disponibilizados mais ônibus para o transporte, como era feito há alguns anos.

https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2022/01/agetransp.jpg
Fonte: imagem de Mensageiro Instântaneo

Enquanto isso a população continua exposta ao perigo constante, utilizando-se do “trem da morte”, um outro apelido que infelizmente retrata o descaso e a falta de investimento pela concessionária e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, que tem responsabilidade assinada em contrato com a manutenção e funcionamento adequado do serviço.

https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2022/01/S5036936.jpg
Aparelho de Mudança de Via (AMV) ainda manual, em uso no ramal Vila Inhomirim Foto: Daddo Moreira, 2012

E como se já não bastasse temos uma Agência reguladora que na prática apenas registra e divulga problemas e fatos ocorridos no sistema sobre trilhos, e quando muito aplica multas que são irrisórias aos responsáveis. Isso, quando elas são pagas…

VEJA TAMBÉM  Personalidades: Allen Morrison
https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/wp-content/uploads/2022/01/ag.jpg
Um dos “Homens-Prancheta” da AGETRANSP em ação Fonte: Twitter

Como podemos classificar isso?

Não é um parque de diversões, mas certamente um Circo onde os usuários, as verdadeiras vítimas, são feitos de palhaços?

Parabéns aos envolvidos.


Autor

  • logo trilhos do rio 01

    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

    Ver todos os posts

Deixe um comentário