Estações Ferroviárias ganharão postos gratuitos de hidratação
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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações do Jornal O Dia
📆 29/12/2025
⏱️ 7h59
📷 Jornal O Dia
Em resposta às sucessivas ondas de calor extremo que atingem o Rio de Janeiro, o Governo do Estado anunciou a instalação de pontos de hidratação com distribuição gratuita de água potável em algumas das estações ferroviárias mais movimentadas da cidade do Rio de Janeiro. A iniciativa começa a valer a partir desta segunda-feira (29) e contempla as estações de Bangu, Campo Grande, Madureira e Central do Brasil, locais que concentram grande fluxo diário de passageiros e usuários em situação de vulnerabilidade.
A medida integra um conjunto mais amplo de ações emergenciais adotadas pelo poder público para mitigar os efeitos das altas temperaturas, que vêm batendo recordes históricos na cidade. O objetivo central é reduzir riscos à saúde, prevenir casos de desidratação, mal-estar e insolação, especialmente entre trabalhadores que dependem do transporte público e passam longos períodos expostos ao calor intenso, segundo informou o Governo do Estado em nota oficial.
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As estações escolhidas não foram definidas ao acaso. Todas funcionam como grandes polos de mobilidade urbana, conectando diferentes regiões da cidade e da Região Metropolitana. A Central do Brasil, por exemplo, é o principal elo ferroviário do Rio, integrando trens urbanos, metrô, VLT e ônibus intermunicipais. Já Madureira, Campo Grande e Bangu figuram entre as estações com maior circulação de passageiros da SuperVia, especialmente nos horários de pico.
Além de atender os usuários do sistema ferroviário, os pontos de hidratação também irão beneficiar pessoas em situação de rua que circulam ou permanecem no entorno dessas estações. A inclusão desse público é considerada estratégica, diante do aumento dos riscos sociais e sanitários associados às temperaturas extremas, sobretudo para quem não dispõe de abrigo adequado ou acesso regular à água potável.
A ação nas estações de trem complementa outras iniciativas já colocadas em prática no fim de semana. No domingo (28), a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) distribuiu cerca de dez mil litros de água em pontos de grande concentração de pessoas ao ar livre, como a orla do Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema e o Parque Madureira. A distribuição ocorreu em trechos estratégicos, próximos aos postos de salvamento, no caso da orla, onde o fluxo de banhistas costuma ser mais intenso nos dias de calor extremo.
Essa operação é realizada por meio da chamada “Frota da Hidratação”, estrutura montada pela Cedae para atuar em eventos climáticos severos. A frota foi composta por uma kombi adaptada para transporte de água potável e 14 bicicletas equipadas com reservatórios, posicionadas em parceria com os postos de salva-vidas. Além do atendimento às pessoas, os pontos contam com bebedouros específicos para pets, reconhecendo que animais também sofrem com o calor excessivo.
Toda a água distribuída tem origem na Estação de Tratamento do Guandu, responsável pelo abastecimento da maior parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a Cedae, a qualidade da água é monitorada em tempo real por um laboratório móvel, que acompanha parâmetros físico-químicos e microbiológicos, garantindo segurança no consumo mesmo em operações externas e itinerantes.
Especialistas em saúde pública e clima urbano avaliam que ações como essa tendem a se tornar cada vez mais frequentes. O Rio de Janeiro, assim como outras grandes metrópoles brasileiras, enfrenta o agravamento das ilhas de calor, fenômeno associado à alta densidade urbana, impermeabilização do solo e redução de áreas verdes. Em dias de temperaturas elevadas, estações ferroviárias e terminais de transporte coletivo figuram entre os locais mais críticos, devido à grande concentração de pessoas e à ventilação limitada em determinados espaços.
Nesse contexto, a instalação de pontos de hidratação em estações de trem é vista como uma medida de adaptação climática de curto prazo, mas com impacto direto e importante na saúde da população. Além da distribuição de água, especialistas defendem que o enfrentamento do calor extremo deve incluir investimentos em sombreamento, arborização, melhoria da ventilação natural e, no caso do transporte Público, adequação térmica das estações e dos trens.
O Governo do Estado informou que seguirá monitorando as condições climáticas e não descarta a ampliação da iniciativa para outros pontos da cidade, caso o calor intenso persista. A expectativa é que a ação contribua para reduzir atendimentos médicos relacionados ao calor e ofereça um mínimo de conforto em um cenário cada vez mais desafiador para quem depende diariamente do transporte público.
