Vila Inhomirim e Guapimirim: solução existe, o que falta é decisão
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✍️ Redação Trilhos do Rio
📆 26/12/2025
⏱️ 20h
📷 Redes Sociais
Os vídeos não mentem: os trens dos ramais Vila Inhomirim e Guapimirim circulam lotados, seja em dias úteis na ida e volta para o trabalho, seja em dias quentes como hoje, em feriados e fins de semana. Banhistas, famílias e trabalhadores mostram que há demanda real, ainda que talvez e momentaneamente sazonal, por um serviço ferroviário que conecta áreas urbanas a regiões de lazer, natureza e trabalho. O problema, portanto, não é falta de passageiros.
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O que se repete, ano após ano, é um ciclo perverso. Composições antigas, a diesel, sem ar-condicionado e com poucos horários saem para operação já sobrecarregadas.
Ao longo do dia, não é incomum ocorrer vandalismo, depredação e comportamentos de risco, que se acumulam: portas, bancos e janelas quebrados, pessoas penduradas nas composições, ausência total de controle efetivo. O resultado é previsível: trens avariados e recolhidos, viagens canceladas, serviço suspenso.
No dia seguinte, quem paga a conta são sempre os mesmos: trabalhadores e moradores que dependem do trem para se deslocar, enquanto o discurso oficial segue tratando esses ramais como “linhas sem demanda”.
A ironia é cruel: quando o trem enche, ele quebra; quando quebra, dizem que não vale a pena investir.
Há também um aspecto que não pode mais ser ignorado. A normalização da destruição do patrimônio público, somada à deslegitimação de agentes que tentam manter alguma ordem, cria um ambiente onde ninguém consegue agir. Sem autoridade, sem política pública clara e sem investimento, o abandono se retroalimenta.
Esses ramais não precisam de milagres. Precisam de planejamento, mais horários em períodos críticos, material rodante adequado, mesmo movido a diesel, presença institucional e respeito ao usuário. Enquanto isso não acontecer, Vila Inhomirim e Guapimirim continuarão presos entre dois extremos igualmente injustos: o trem lotado que vira caos e o trem suspenso que vira abandono.
Solução existe. O que falta é decisão.
