Aduelas para a Linha 4 do Metrô são motivos de impasse em terreno ao lado da estação Barão de Mauá

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações obtidas em documentos oficiais da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos) e da Subsecretaria de Gestão Administrativa e Patrimonial, dentre outras, constantes em processos administrativos entre 2022 e 2025.
📆 22/12/2025
⏱️ 19h31
📷 Relatório Fotográfico do Consórcio Rio Barra

Um terreno estratégico localizado na Avenida Francisco Bicalho, ao lado da antiga Estação Barão de Mauá — a histórica Leopoldina — tornou-se o centro de um impasse administrativo que se arrasta há pelo menos três anos e que agora ganha caráter de urgência. No local, de propriedade da União, encontram-se armazenadas cerca de 5.600 aduelas de concreto, além de estruturas remanescentes de uma fábrica destinada à produção dessas peças, utilizadas originalmente nas obras do túnel da Linha 4 do metrô, no trecho da alça sul até a Estação Gávea.

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Fonte: Concessionária Rio Barra

Segundo documentos oficiais que tramitam desde 2022 em processos administrativos do Estado do Rio de Janeiro, a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) determinou a desocupação integral da área, solicitando providências imediatas à Concessionária Rio Barra e aos órgãos estaduais envolvidos. A medida atende a diretrizes federais de reordenamento do uso de imóveis públicos e está diretamente relacionada à implementação de políticas urbanas estruturantes na região central da cidade.




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De acordo com os registros administrativos, a área atualmente ocupada pelas aduelas deverá ser liberada para permitir intervenções planejadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que incluem obras de infraestrutura urbana e, em etapas futuras, a implantação de empreendimentos residenciais e outros equipamentos públicos. Essas ações integram um conjunto de projetos de requalificação urbana voltados à região do entorno da Leopoldina, historicamente marcada por vazios urbanos e subutilização de terrenos públicos.

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Fonte: Concessionária Rio Barra

Desde o primeiro ofício emitido em 2022, a Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos) alertou para a complexidade técnica da remoção das peças. As aduelas, grandes estruturas de concreto armado, exigem áreas extensas para armazenamento, além de logística compatível com eventual transporte futuro até o destino final, caso as obras do metrô sejam retomadas. Inicialmente, estimava-se a necessidade de um terreno com cerca de 62 mil metros quadrados; documentos mais recentes ampliam essa estimativa para aproximadamente 80 mil metros quadrados, considerando margens operacionais e condições de segurança.

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Fonte: Concessionária Rio Barra

Outro ponto crítico destacado nos pareceres técnicos é a inexistência de previsão orçamentária para a desmobilização da fábrica, o transporte das aduelas e a implantação de uma nova área de armazenamento. A Riotrilhos também ressaltou que qualquer mudança pode demandar a celebração de aditivos contratuais com a Concessionária Rio Barra, cujo contrato, segundo os próprios documentos, apresenta pendências jurídicas ainda não solucionadas.

Ao longo de 2025, o tema voltou à pauta com força renovada. Novos ofícios reiteraram a necessidade de cumprimento da determinação da União, diante do avanço das tratativas entre a SPU, a Prefeitura do Rio de Janeiro e o BNDES no âmbito do Programa Imóvel da Gente – Linha 4. O programa prevê a destinação social e urbana de imóveis federais ociosos, o que reforça a pressão pela liberação da área ocupada pelas aduelas.

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Fonte: Concessionária Rio Barra
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Fonte: Concessionária Rio Barra

Diante desse cenário, a Secretaria estadual responsável solicitou apoio da Subsecretaria de Gestão Administrativa e Patrimonial (SUBGAP) para identificar, com urgência, imóveis públicos estaduais que possam atender à demanda. A busca inclui terrenos com grande extensão, disponibilidade jurídica imediata e condições físicas adequadas para o armazenamento temporário de milhares de peças de concreto. Até o momento, segundo respostas formais anexadas aos processos, não foi identificado imóvel estadual que reúna todas as características exigidas.

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Fonte: Concessionária Rio Barra

Especialistas em planejamento urbano e gestão de infraestrutura ouvidos em análises semelhantes destacam que a permanência prolongada das aduelas em área estratégica representa um entrave tanto à política de mobilidade quanto aos projetos de requalificação urbana. Além de ocupar um terreno valioso em região central, o impasse posterga decisões sobre o futuro da Linha 4 do metrô e cria insegurança jurídica quanto ao uso do patrimônio público.

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Fonte: Concessionária Rio Barra

A urgência agora é dupla: por um lado, atender às determinações da União e liberar o terreno para as obras previstas pela Prefeitura; por outro, garantir uma solução técnica e administrativa para a remoção segura das aduelas, evitando desperdício de recursos públicos e novos passivos institucionais. Como apontam os próprios documentos oficiais, o atraso na desocupação pode comprometer a execução de políticas públicas estruturantes e gerar impactos negativos em diferentes esferas de governo.

Enquanto isso, a área da antiga Leopoldina segue como símbolo de um problema recorrente no Rio de Janeiro: a dificuldade de articulação entre projetos de infraestrutura, gestão patrimonial e planejamento urbano de longo prazo. A definição de um destino adequado para as aduelas tornou-se, mais do que uma questão técnica, um teste de coordenação entre União, Estado e Município.

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