EF-118: Vale não executará trecho ferroviário entre Espírito Santo e Rio de Janeiro

EF118

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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações de A Gazeta
📆 26 de novembro de 2025
⏱️ 20h39
📷 Trilhos do Rio / Google Earth

O Ministério dos Transportes confirmou que o trecho inicial de 80 quilômetros da EF-118, que seria anteriormente construído pela Vale e incorporado à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), ficará agora sob responsabilidade do futuro concessionário da ferrovia. A mineradora, portanto, não participará mais dessa etapa. O segmento passará a integrar o lote que será oferecido em leilão em 2026.

A informação foi detalhada durante a apresentação da carteira de projetos ferroviários previstos para o próximo ano. A fase 1 da EF-118 — programada para ir a leilão em junho de 2026 — abrange o percurso entre Santa Leopoldina, na Região Serrana do Espírito Santo, e São João da Barra, no Rio de Janeiro, onde está localizado o Porto do Açu. Essa primeira etapa soma aproximadamente 250 quilômetros.




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Na sequência, a fase 2 seguirá pelo território fluminense até Nova Iguaçu, mediante novos aportes financeiros. Consideradas as duas fases de implantação, a EF-118 ultrapassará 500 quilômetros de extensão, conectando os portos capixabas e fluminenses à malha ferroviária nacional.

Mudanças no projeto ao longo de 2025

Durante o ano, a configuração dos trechos da ferrovia — também conhecida como Arco Ferroviário Sudeste — passou por diferentes revisões. No início de 2025, o Ministério dos Transportes chegou a firmar um entendimento com a Vale, no qual a mineradora ficaria responsável por construir os 80 km entre Santa Leopoldina e Anchieta, além de um ramal adicional de 10 km até o Porto de Ubu.

Naquele modelo, esse trecho seria incorporado à EFVM e operado pela própria Vale, enquanto apenas a partir de Anchieta seria feito o processo licitatório para novos operadores.

No entanto, em resposta enviada à reportagem de A Gazeta, o Ministério dos Transportes confirmou que esse arranjo não seguirá adiante:

A execução caberá ao futuro concessionário da EF-118, que contará com apoio de investimentos para viabilizar as obras e garantir o andamento do empreendimento”, informou o órgão em nota oficial.

Investimentos e repasses previstos

A pasta indica que os recursos para viabilizar a nova estrutura deverão vir do conjunto de aproximadamente R$ 4 bilhões provenientes das renovações antecipadas das concessões da MRS Logística, Rumo Malha Paulista e também da própria Vale.

A construção da primeira etapa — os 250 km entre Santa Leopoldina e São João da Barra — deverá ser assegurada por repasses de R$ 4,1 bilhões já comprometidos por essas concessionárias no processo de renovação.

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Negociações frustradas com a Vale

A participação direta da Vale na obra estava condicionada às negociações envolvendo a renovação antecipada dos contratos da EFVM e da Estrada de Ferro Carajás (EFC). No entanto, em agosto, a mineradora e o governo federal não chegaram a um consenso sobre alterações contratuais, o que inviabilizou o investimento planejado pela empresa para executar o trecho.

Mesmo assim, antes da ruptura das tratativas, a mineradora chegou a encaminhar ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto, com informações técnicas sobre túneis projetados em Viana-ES, pontes, viadutos e demais obras de infraestrutura que seriam necessárias para o traçado.


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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
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