VLT, VLP ou BUD – Bonde Urbano Digital? Câmara do Rio aprova em primeiro turno substituição do sistema BRT

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BUD - Bonde Urbano Digital. Imagem: Governo do Paraná

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✍️ Com informações de Mobilize Brasil, O Dia, Agenda do Poder, Metrô CPTM, Tempo Real, Secretaria de Comunicação do Paraná, Diário do Transporte
📅 16 de outubro de 2024
🕚 20h41
📷 Mobilize Brasil

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou em primeira discussão, no dia 16 de outubro de 2025, o Projeto de Lei 56/2025, que autoriza a substituição dos corredores BRT Transcarioca e Transoeste por Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) ou Veículos Leves sobre Pneus (VLP). Dos 40 vereadores presentes, 37 votaram a favor. A segunda votação está prevista para 21 de outubro. O projeto prevê um investimento estimado de R$ 12 bilhões e autoriza a realização de Parcerias Público-Privadas (PPP) para implantação, operação e manutenção do novo sistema.

A proposta também prevê expansão do novo modal até São Cristóvão, aproveitando infraestrutura central existente e integrando pontos estratégicos como a Quinta da Boa Vista, o Hospital Quinta D’Or e conexões com trens e metrôs. 




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O anúncio reacende debates técnicos, financeiros e operacionais — afinal, adaptar um corredor BRT para VLT ou VLP vai muito além de simplesmente “colocar trilhos” sobre a pista. É necessário adequar alturas de plataformas, definir raios de curva compatíveis com veículos ferroviários, reorganizar cruzamentos em nível com automóveis, reforçar fundações e interfaces entre vias, revisar drenagem, ajustar sistemas de sinalização e eletrificação. Muitos especialistas apontam que, ao longo do tempo, esses ajustes acarretam custos elevados e riscos de incompatibilidade, especialmente se o traçado atual foi projetado apenas para ônibus articulados.

O que é o BUD — Bonde Urbano Digital?

Enquanto a discussão do Rio se acentua, o Estado do Paraná está na vanguarda da inovação com o BUD — Bonde Urbano Digital (também chamado de Veículo Leve sobre Pneus guiado digitalmente). Ao contrário de um VLT tradicional, o BUD circula sobre pneus, guiado por sensores magnéticos e “trilhos virtuais” embutidos no asfalto, dispensando trilhos físicos. Ele emprega tecnologia de Digital Rail Transit (DRT), com automação, sensores LIDAR, câmeras, radar e sistemas de posicionamento. 

O Paraná deve inaugurar o BUD no trecho Pinhais-Piraquara, com cerca de 10–13 km de extensão e veículos de 30 metros com capacidade para 280 passageiros. Essa tecnologia promete custos de implantação até três vezes menores do que de um VLT com trilhos, além de ser mais rápida de implementar e com menor obra civil. As recargas são realizadas via supercapacitores em pontos específicos, sem baterias pesadas.

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O projeto despertou interesse nacional: delegações de outras cidades têm visitado o Paraná para conhecer o modal e avaliar sua adoção em outros estados, inclusive representantes fluminenses. Em muitos casos, consultores veem o BUD como uma alternativa intermediária entre BRT e VLT, especialmente onde os custos de trilhos são proibitivos.

E no Rio: BRT, VLT ou BUD?

Para o Rio, a proposta aprovada na Câmara dá margem para que o Executivo opte não só por VLT, mas também por VLP (tradicional ou como o BUD) — o que insere flexibilidade tecnológica no debate. A vantagem desse modelo é poder aproveitar parte da infraestrutura existente, reduzir intervenções pesadas em vias e flexionar etapas de implantação.

Por outro lado, o BUD exige que vias, estações e sistemas de controle sejam adaptados: as plataformas devem ter altura compatível; os cruzamentos automotivos com semáforos, vias de serviço e calçadas precisarão de readequações; curvas muito fechadas podem não comportar veículos guiados; e a rede de sinalização e energia terá de integrar sensores e controladores de precisão. Em muitos casos, a transformação de BRT para VLT ou BUD pode exigir reconstruções profundas e remodelações urbanas.

Especialistas ouvidos por veículos como O Dia ressaltam que, embora o BRT tenha baixa eficiência comparado a modais sobre trilhos, transformá-lo em VLT ou VLP agora exige planejamento técnico cuidadoso. O professor Aurélio Lamare Soares Murta (UFF) sugeriu que talvez o VLT já devesse ter sido prioridade no projeto BRT original, evitando vindouros adaptações oneram as estruturas.

Já alguns vereadores da base criticaram investimentos recentes no BRT que agora seriam “reaproveitados” para trilhos levando em conta que, em alguns trechos, asfalto foi convertido para concreto nos últimos anos. Isso gera tensão política e demanda debates técnicos robustos.

O que esperar adiante?

Se aprovada definitivamente, a lei dará o poder ao Executivo municipal de formar PPPs para executar e gerir o novo sistema. O desafio será escolher tecnologia, distribuir riscos, garantir compatibilidade urbana e proteger investimentos existentes. Para o Rio, uma escolha bem feita pode representar salto em conforto, eficiência, sustentabilidade e valor urbano. Uma escolha mal calibrada pode gerar custos excessivos, incompatibilidades e frustrações.

O surgimento do BUD adiciona à mesa uma opção adaptativa: veículos elétricos, guiados digitalmente, capazes de operar em vias já existentes com intervenção menor do que um VLT completo. Seja VLT ou BUD, a transformação de modais no Rio terá impactos significativos para a mobilidade urbana dos próximos 30 anos

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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