Ligação entre Angra dos Reis e Minas Gerais entra novamente na pauta de debates: edital poderá sair em 2026
Reunião debate retorno da ferrovia em Angra dos Reis - Jornal o Dia
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✍️ Redação Trilhos do Rio, com informações de: Jornal O Dia, Prefeitura de Angra dos Reis , Diários das Leis, ANTT e Wikipedia
📅 30/09/2025
🕚 19h41
📷 Jornal O Dia / Divulgação PMAR
A Prefeitura de Angra dos Reis (RJ) deu novo impulso ao projeto de reativação da linha férrea que conectará o município ao interior mineiro, passando por Barra Mansa e se estendendo até Varginha e Arcos (MG). Em reunião em Brasília com o Ministério dos Transportes, representantes locais e federais debateram avanços técnicos, modelos regulatórios e prazos. O chamamento público para credenciar empresas interessadas deverá ocorrer até março de 2026. Esta não é a primeira vez que a proposta é levantada, mas o novo momento conta com diagnóstico técnico entregue e plano regulatório alinhado à moderna legislação ferroviária.
Diagnóstico e viabilidade técnica
O encontro em Brasília envolveu o secretário de Planejamento e Gestão de Angra, André Pimenta, e o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro. Foi entregue o relatório de inspeção técnica da concessionária responsável pelo trecho Angra–Barra Mansa, a VLI, que identificou segmentos reaproveitáveis e apontou quais trechos exigem intervenções completas. Com base nesses estudos, serão elaborados os parâmetros de recuperação da malha ferroviária, estimativa de custo e nível de esforço exigido para reativação. Essa discussão se apoia no atual marco regulatório ferroviário brasileiro — instituído pela Lei nº 14.273/2021, conhecida como Lei das Ferrovias, e regulamentada pelo Decreto nº 11.245/2022 — que permite a exploração de trechos ferroviários por meio de autorização ferroviária, com contrato de adesão e chamamento público, sob supervisão da ANTT. Esse regime de autorização confere maior flexibilidade e incentiva a entrada de novos operadores privados no setor ferroviário.
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Reativação com efeitos regionais
A reconstrução do trecho ferroviário entre Angra e Minas Gerais promete gerar múltiplos benefícios regionais. Espera-se geração de empregos, fortalecimento logístico por meio do escoamento de cargas como café do sul mineiro, transporte de calcário e integração com portos. Para o município de Angra, a ferrovia reativada poderá também ampliar a função do Porto de Angra como hub logístico, fomentando indústrias e potencial turístico com a retomada do Trem da Mata Atlântica, serviço de passageiros que circulava neste trecho cênico e histórico.
O prefeito Cláudio Ferreti afirmou que conectar Angra a Minas Gerais por ferrovia representará salto logístico e econômico: “transformar nossa cidade em um verdadeiro hub nacional”; ele salientou que o projeto mobiliza planejamento urbano e infraestrutura.
Histórico de debates e tentativas anteriores
Vale destacar que essa não é a primeira vez que a retomada da ferrovia Angra–Barra Mansa é debatida. Em junho de 2025, a Prefeitura promoveu reunião com o DNIT e a VLI para projetar a inspeção técnica da malha, como etapa preparatória para devolução da ferrovia à União. Aquela iniciativa já integrava um plano de ligar Angra ao Porto Seco Sul de Minas, em Varginha, reforçando a ambição logística do projeto.
Historicamente, a ferrovia entre Angra dos Reis e Barra Mansa está associada à antiga Linha Tronco da Estrada de Ferro Oeste de Minas/Rede Mineira de Viação (RMV / EF-045), que teve trechos abandonados e atualmente opera apenas carga em partes limitadas do trecho. Com a concessão ferroviária moderna e o regime de autorização previsto na Lei das Ferrovias, o projeto renova expectativas para viabilizar esse antigo corredor esquecido.
Desafios, cronograma e próximos passos
O chamamento público, previsto para março de 2026, ainda terá de definir prazos, critérios técnicos, indicadores de desempenho e responsabilidades contratuais. Entre os desafios estão desapropriações, licenças ambientais, estrutura de via, integração com terminais portuários e modernização para transporte de carga e passageiros.
A proposta segue o regime de autorização ferroviária, que permite que operadores privados assumam o risco e o investimento, conforme previsto pela Lei das Ferrovias e regulamentado pela Resolução ANTT nº 6.058/2024. A ANTT será responsável pela estruturação do edital em articulação com Ministério e estados.
Com base nesse contexto, Angra aguarda que o governo federal garanta os aportes necessários e que o processo legislativo, regulatório e técnico caminhe de forma coordenada, para que o sonho de interligar o litoral fluminense a Minas Gerais por trem volte à realidade
