Elevando o turismo, a história e a mobilidade: os teleféricos do Rio de Janeiro

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Bondinho do Pão de Açúcar - Imagem: Wikipedia

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✍️ Daddo Moreira, com colaboração de Janaína Botelho
📅 20/08/2025
🕚 7h00
📷 Wikipedia

O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio trata, desde suas origens, sobre os transportes rigidamente guiados do estado do Rio de Janeiro. Trens, Metrô, Bondes/VLTs, Planos Inclinados/Funiculares e neste texto falaremos sobre os Teleféricos. Posteriormente será produzido um artigo especial sobre mais um ou dois projetos e/ou sistemas de transporte rigidamente guiado, ainda não mencionados antes aqui no site, mas vamos guardar o mistério até a publicação.

De qualquer forma, você saberia quais são?




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Coloque aí nos comentários!

Enfim, vamos ao texto.


As origens do transporte por cabos são um tanto quanto incertos e quase se perdem no tempo, mas há registros de seu uso já no século XVI para levar suprimentos e outras cargas em algumas povoações. Pouco depois, povos da China, Índia e Japão utilizavam cabos de fibras vegetais para atravessar vales e montanhas.

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The first aerial lift design (Machinae Novae) – Fausto Veranzio

Em 1616, o croata Fausto Veranzio desenhou em Veneza o primeiro sistema bicabo pensado para transportar pessoas. Mas foi o holandês Adam Wybe, em 1644, quem construiu o primeiro teleférico funcional, tornando-se referência na área.

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Etching of Adam Wybe’s cable car in Danzig.

A partir do século XIX, europeus — sobretudo Alemanha, Áustria e Suíça, seguidos por Itália e França — lideraram a evolução da tecnologia, introduzindo cabos metálicos e depois elétricos.

Na Primeira Guerra Mundial, os teleféricos tiveram papel estratégico nas montanhas da Itália e Áustria, o que acelerou inovações e abriu caminho para seu uso em transporte de cargas e, mais tarde, transporte de passageiros e turismo em cidades.

O conceito moderno de teleférico surgiu no final do século XIX, e o Brasil foi um dos pioneiros na adoção desse tipo de transporte para fins turísticos, especialmente no Rio de Janeiro. Um dos exemplos mais notáveis é o Bondinho do Pão de Açúcar, inaugurado em 1912, considerado um dos primeiros teleféricos do mundo e até hoje uma das atrações turísticas mais icônicas do país.

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Fonte: Blog do Bondinho

E falando nisso, o “Bondinho” do Pão de Açúcar é um verdadeiro marco histórico e turístico. Construído em 1912, foi o terceiro teleférico do mundo e o primeiro das Américas. A ligação entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar transformou-se em um dos cartões-postais mais reconhecidos internacionalmente. Em 1972, passou por uma grande modernização, recebendo cabines panorâmicas que oferecem aos visitantes uma vista de 360° da Baía de Guanabara, do Cristo Redentor e de boa parte da cidade. Hoje, continua sendo um dos pontos turísticos mais visitados do Brasil, combinando história, tecnologia e uma experiência única de contato com o Rio de Janeiro visto do alto.

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Outro teleférico do estado do Rio de Janeiro é o do Complexo do Alemão, inaugurado em 2011, sendo concebido como um sistema de transporte urbano integrado aos trens (ramal Gramacho da Supervia, em Bonsucesso) e aos ônibus da cidade. Possui aproximadamente 3,5 km de extensão e seis estações:

  • Bonsucesso
  • Adeus
  • Baiana
  • Alemão
  • Itararé
  • Paineiras

Apesar da sua importância em conectar comunidades do Complexo do Alemão a outras regiões da cidade do Rio, reduzindo de forma significativa o tempo de deslocamento, o serviço enfrentou diversos desafios de manutenção, custos operacionais e gestão. O teleférico foi desativado em 2016 para manutenção e troca de um cabo que viria da Áustria, mas, desde então, há discussões sobre sua possível reativação. Comenta-se que ainda em 2025 isso poderá ocorrer.

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Teleférico do Complexo do Alemão – Imagem: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz)

Além do aspecto funcional, o Teleférico do Alemão representa uma tentativa de integrar áreas periféricas à malha de transporte formal da cidade, marcando uma experiência singular de mobilidade urbana no Brasil.

Outro projeto voltado para mobilidade em comunidades e idealizado para integrar comunidades ao restante da cidade do Rio de Janeiro é o Teleférico da Providência, inaugurado em 2014. Ligando a região da estação ferroviária Central do Brasil à região portuária e ao alto do Morro da Providência, ele tinha como objetivo facilitar a vida dos moradores, oferecendo uma alternativa segura e rápida ao difícil trajeto a pé pelas ladeiras da região.

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Imagem: CCPAR

Contudo, assim como no caso do Alemão, enfrentou problemas de manutenção e operação. Ficou um período fora de operação mas retomou o funcionamento de forma gratuita, se mantendo como um símbolo de um esforço de inovação no transporte urbano do Rio, mostrando a viabilidade do teleférico como meio de inclusão social e melhoria da mobilidade em áreas desafiadoras.

E na Região Serrana do estado, Nova Friburgo também conta com um teleférico, inaugurado em 1975. Situado no bairro do Cônego, e também chamado como “Teleférico do Suspiro” (nome da praça onde inicia o passeio) o equipamento é voltado principalmente para o turismo, conduzindo visitantes ao topo e oferecendo a oportunidade de se maravilhar com uma vista panorâmica da cidade e das montanhas da região serrana.

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Imagem: G1

Diferentemente dos projetos urbanos do Rio, e semelhante ao sistema do Morro da Urca e Pão de Açúcar, este teleférico é voltado exclusivamente para o lazer e o turismo, sendo considerado uma das principais atrações da cidade.

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Os teleféricos representam mais do que simples transporte: eles são símbolos de integração entre engenharia e paisagem. No Rio de Janeiro e em outros lugares podem cumprir papéis distintos. Enquanto o Bondinho do Pão de Açúcar é um ícone mundial do turismo e um patrimônio histórico da engenharia, os teleféricos do Alemão e da Providência foram tentativas ousadas de inovação em transporte urbano. Já o de Nova Friburgo valoriza a beleza natural da serra, impulsionando o turismo local. Já existiram outros projetos mas, em todos os casos, os teleféricos demonstram como esse meio de transporte pode ser versátil, unindo lazer, mobilidade e identidade cultural. Os teleféricos fazem parte da história do transporte no Rio de Janeiro, conectando comunidades, valorizando o turismo e oferecendo experiências únicas. Mas também representam desafios de gestão e sustentabilidade.

E você, já andou em algum teleférico do Rio de Janeiro ou de outra parte do mundo? Conte para a gente sua experiência nos comentários e compartilhe este artigo com quem gostaria de conhecer mais sobre essas incríveis viagens pelo ar!


Autores

  • Daddo Moreira

    Formado em Arquivologia, pós-graduado em Engenharia Ferroviária, técnico em TI, produtor e editor multimídia, webmaster e webdesigner, pesquisador e historiador informal. Foi presidente e é o atual coordenador-geral Trilhos do Rio.

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  • janaina botelho avatar 200x2001 1

    Janaína Botelho é professora universitária, historiadora, roteirista, escritora e produtora de vários artigos em sites e publicações sobre a região serrana do Rio de Janeiro.

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