Metrô conectando Tijuca à Gávea: projeto é proposto em estudo do BNDES

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 11/08/2025
🕚 17h46
📷 Maciço da Tijuca, por sob a linha do Metrô passaria – Imagem: Freepik

Entre as muitas promessas que já povoaram os planos de mobilidade do Rio de Janeiro, a ligação entre as estações Gávea e Uruguai, passando pelo maciço da Tijuca (imagem de capa), é uma das mais antigas e recorrentes. A proposta parece simples no papel: fechar o “anel” da Linha 1 do metrô, criando um trajeto direto entre a Zona Norte e a Zona Sul sem que o passageiro precise atravessar o Centro da cidade. Na prática, porém, essa ideia tem enfrentado um verdadeiro labirinto de dificuldades e, até hoje, permanece no campo das intenções.

O trecho planejado teria cerca de 5,5 km de extensão e incluiria a finalização (ou construção) da estação Gávea, cujas obras estavam paradas há anos e que havia se tornado símbolo das promessas inacabadas do transporte carioca. Uma vez concluída, essa conexão poderia oferecer viagens mais rápidas e diretas, por exemplo, para quem sai da Tijuca rumo à Barra da Tijuca ou à Zona Sul, aliviando o tráfego que hoje se concentra com a Linha 1 e 2 passando no trecho central da rede.




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Imagem: ENMU / BNDES

A grande dificuldade está na obra em si. Para unir Gávea e Uruguai, seria necessário perfurar o maciço rochoso da Tijuca — um trabalho caro, complexo e tecnicamente desafiador. Por isso, mesmo sendo uma ligação curta, o custo estimado no PDM (Plano Diretor de Transporte Urbano) é de R$ 3,2 bilhões para a implantação (CAPEX) e cerca de R$ 104 milhões por ano para manter a operação (OPEX).

O projeto aparece no horizonte de 2035 do PDM, mas, na prática, não passou por novas análises nos últimos 10 anos. Ou seja: embora esteja no papel, não há nenhuma garantia de que realmente sairá do campo das ideias.

Governo estadual anuncia retomada das obras na estação Gávea

Uma notícia recente reacendeu a discussão: em setembro de 2024, o TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) aprovou um Termo de Ajustamento de Conduta entre o Governo do Estado e a concessionária MetrôRio, que prevê a retomada e conclusão das obras da estação Gávea. Falta apenas a homologação judicial para que essa parte do projeto ande. Mas vale lembrar: finalizar a estação é apenas um passo. A ligação até Uruguai é outro desafio, e muito maior.

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De acordo com as estimativas do PDM, a Linha 1 completa, com essa conexão, poderia atender cerca de 280 mil passageiros diários. Mais do que um número, isso representaria viagens mais rápidas, menor sobrecarga no sistema e um novo eixo de integração na cidade. Caso fosse implantado um serviço direto Uruguai – Jardim Oceânico, seria necessário também adquirir novos trens para atender à demanda.

No entanto, como tantas vezes já aconteceu no Rio, essa é mais uma proposta de alto impacto que, até agora, não encontrou o caminho da execução.


 

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
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