A Companhia União Mineira

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✍️ Mozart Rosa
📅 20/07/2025
🕚 12h00
📷 Capa do Primeiro Relatório da Estrada de Ferro União Mineira, datado de 31 de janeiro de 1878 e apresentado na primeira Assembleia geral da Companhia, fonte: blog O Trem Expresso

 

INTRODUÇÃO

Texto dedicado a todo o povo mineiro a quem amamos de paixão, mais especificamente aos moradores da zona da mata e do sul de Minas Gerais.




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Dedicado também aos alunos e ao corpo docente das seguintes instituições:

  • UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora;
  • UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto.

Duas raras instituições de ensino que, ao abordarem a questão ferroviária no estado de Minas Gerais – especificamente nos aspectos econômicos – o fazem com enorme maestria, mostrando os prejuízos que sua erradicação no território mineiro provocaram para o estado de Minas Gerais e sua população.

Bem diferente do material produzido por diversas instituições de ensino no Brasil, onde a nítida e aparente impressão é de que os orientadores parecem até jornalistas de fofocas. Querem falar da erradicação das ferrovias sem citar uma única vez os prejuízos descomunais da RFFFSA. Prejuízos esses comprovados e documentados via balanços.

E lembrando da nossa mestranda favorita que afirma que “o Brasil ficou refém da bitola métrica”, a coitada nunca deve ter estudado as ferrovias do Japão ou da Escócia, e nem deve ter lido os escritos de Paulo de Frontin. Provavelmente ela e seus orientadores devem se achar melhores do que Paulo de Frontin. Apenas um dos melhores engenheiros da história do Brasil, mas para eles isso deve ser detalhe.

Parafraseando o Biólogo Henrique, “essa mestranda nem faz ideia de por onde a galinha urina”, incompetência total.

É lamentável a péssima qualidade do que é produzido e ainda por cima endeusado. Infelizmente.

VAMOS AO TEXTO

A grande maioria das pessoas que gosta de ferrovias, seja pelo motivo que for, normalmente focam suas opiniões sobre o setor baseado apenas no que a RFFSA fazia, quando muito no que ouviam falar da E.F. Leopoldina.

Pelo menos no eixo Rio de Janeiro x Minas Gerais.

Infelizmente, ignoram empresas como a E.F. Cantagalo, empresa que revolucionou a região serrana do Rio de Janeiro, levando enorme desenvolvimento àquelas localidades, além de ignorarem personalidades que fizeram parte da história das ferrovias e das localidades por onde essas ferrovias passaram.

Interessados leiam a postagem abaixo:

E.F. Cantagalo, seu início e seu fim

Ignoram ferrovias que foram extremamente importantes para o estado de Minas Gerais, como a EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas, a RMV– Rede Mineira de Viação, a Via Férrea Sapucaí, a Rede Sul Mineira, e mais algumas. Tudo isso fez parte da história de Minas Gerais e costuma ser ignorado.

Hoje falaremos de mais uma ferrovia ignorada por muitos, mas que foi de extrema importância para o desenvolvimento da região do estado de Minas Gerais por onde ela passava, ferrovia essa na ocasião, com outro nome, posteriormente destruída de forma criminosa e que infelizmente ninguém fala sobre isso.

Falaremos hoje da Estrada de Ferro UNIÃO Mineira. Uma das primeiras, mais expressivas e importantes ferrovias, para o desenvolvimento do interior das Minas Gerais. Pois é dela e dos personagens que a construíram que iremos falar.

George Santayana

Alguém já leu a nossa postagem? Sobre signo, significante e significado? Ali tem vários aspectos. Além de entender a estrutura da palavra, entende-se qual é a nossa proposta quando falamos de ferrovia. Bem ao final falamos que não devemos endeusar a RFFSA. A Rede foi uma nódoa, foi um câncer. As pessoas desconhecem o que acontecia ali dentro e o que historicamente aconteceu antes.

VEJA TAMBÉM  O motivo do fracasso das ferrovias no Brasil (6) — Os egressos da RFFSA no futuro das ferrovias

A E.F. UNIÃO MINEIRA, HISTÓRIA E PERSONAGENS

Estrada de Ferro UNIÃO Mineira foi uma companhia ferroviária que atuou em Minas Gerais. Formalmente constituída em 1874, realiza sua primeira assembleia-geral em 1878, inaugura várias estações a partir de 1879, posteriormente em 1884 a linha foi incorporada pela E. F. Leopoldina. Foi uma companhia que durou pouco, mas foi extremamente importante para sua região.

Ela tinha como proposta alcançar o Rio de Janeiro via Três Rios, nossos antepassados tinham visão, algo que certamente desapareceu nos administradores do setor ferroviário que os sucederam, observem que não sabemos como, mas certamente aqui foi negociado o direito de passagem.

Plano de Negócios III – Direito de Passagem

Ela como empresa independente durou pouco, mas seu pioneirismo, seus objetivos, duraram muito. Se fazem notar até hoje.

Vejam parte de seu traçado inicial. Traçado esse chamado conforme a assembleia-geral de primeira seção.

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Nossa homenagem aos seus diretores:

Capitão Gervasio Antônio da silva pinto

Candido Pereira de Noronha e Silva

Modesto Cassiano Pinto Coelho da Cunha

Antônio Bernardes Nico

Jose Luiz Rodrigues Horta

Fez parte da direção da empresa os Engenheiros Luiz Betim Paes Leme, e Pedro Betim Paes Leme, não conseguimos identificar o nível de parentesco entre eles, mas o Eng. Pedro Betim assina a relatório da primeira assembleia-geral da companhia como engenheiro chefe.

Nenhum deles nomeou o município de Betim, como alguns podem pensar, mas certamente eram descendentes de quem o nomeou, abaixo algumas curiosidades sobre isso.

O nome da cidade de Betim tem origem em Joseph Rodrigues Betim, um bandeirante que obteve uma sesmaria na região em 1711. Ele era genro de Fernão Dias Pais Leme e ligado à bandeira de Borba Gato. Embora tenha se transferido para Pitangui em 1714, seu nome ficou associado à região, que inicialmente era conhecida como Arraial da Capela Nova de Betim.

  • A região onde hoje é Betim era um ponto importante de passagem para os bandeirantes que seguiam para as minas de ouro em Pitangui. 
  • Apesar de não ter permanecido na região, o nome de Joseph Rodrigues Betim foi mantido, dando origem ao nome da cidade. 
  • Inicialmente, a região era conhecida como Arraial da Capela Nova de Betim, devido à construção de uma capela em 1750, e mais tarde, tornou-se distrito em 1797. 

Que família!

Ao iniciarmos nossas pesquisas para falarmos dessa ferrovia, nos deparamos com um clube em Santa Catarina chamado União Mineira.

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Esse Clube fica em Criciúma, Santa Catarina, e parece estranho um clube com esse nome em Santa Catarina, mas provavelmente deve ter sido fundado por Luiz Betim, carioca de nascimento, que morreu em Petrópolis e viveu muito de sua vida em Santa Catarina onde foi eleito deputado na assembleia provincial o que seria hoje a Assembleia Legislativa Estadual. Observem a data de fundação do clube.

Luiz Betim teve inúmeras atividades, tendo sido diretor dos Correios também.

Luís Betim Pais Leme Brusque Memória - A História Fotográfica de Brusque na Internet -
Eng. Luiz Betim

Aos interessados em conhecer mais a vida de Luiz Betim, abaixo link sobre ele da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/622-luiz_betim_pais_leme

Sobre o Engenheiro Pedro Betim, não conseguimos mais informações além do que consta do relatório da companhia, o que é uma pena tendo em vista a sua importância.

Essa abaixo é a atriz Fernanda Paes Leme, se tem alguém com pedigree, essa atriz com certeza é uma delas, podem acreditar.

VEJA TAMBÉM  A Lei dos Pontos: uma proposta exclusiva Trilhos do Rio (1)

Pessoas em pé posando para foto O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Fica aqui um pedido a essa atriz, se alguém puder repassar, agradecemos. Se tiver informações sobre esses antepassados e puder nos enviar, muito obrigado.

Está disponível para quem estiver interessado no Blog Trem Expresso, o primeiro relatório da Estrada de Ferro UNIÃO Mineira, chama a atenção o número de acionistas, a população investindo o seu dinheiro sem precisar da participação do governo em algo que melhoraria as suas vidas. Isso se perdeu com o tempo, hoje só ouvimos que o governo DEVE fazer isso ou aquilo, a participação da população se resume a criticar ou elogiar.

https://otremexpresso.blogspot.com/2016/06/primeiro-relatorio-da-estrada-de-ferro.html

Ao lermos o primeiro relatório da assembleia-geral, e entendendo o principal produto transportado por essa ferrovia, fica a pergunta de um de nossos consultores, o Sr. Ruy Barreto, super atual.

Por que diabos temos que levar o café de Minas Gerias para São Paulo se podemos trazer para os portos do Rio?

Homem de terno e gravata O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Conheçam abaixo dois casos em que a população unida construiu obras que deveriam ter sido construídas pelo poder público bem mais baratas, o terror dos políticos de hoje.

https://revistaoeste.com/politica/populacao-banca-ponte-no-rs-por-r-7-milhoes-governo-quer-construir-outra-ao-lado/

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2016/06/30/a-licao-dos-moradores-que-construiram-ponte-por-menos-de-2-do-orcamento-projetado-pela-prefeitura.htm

Isso se perdeu, mas no passado era assim.

Na falecida Comissão Pró Ferrovias de Minas Gerais, essa provavelmente induzida pelos egressos da RFFSA, era a frase mais dita: O governo DEVE fazer isso ou aquilo. Deveriam ter lido esse relatório da assembleia-geral da Estrada de Ferro UNIÃO Mineira e ver a quantidade absurda de acionistas, anônimos, que fizeram história. Deveriam conhecer a história das diversas ferrovias mineiras, sempre bancadas pelo empresariado e pela população.

A leitura desse relatório é interessante, pois mostra que alguns municípios mineiros hoje extremamente prósperos foram criados por influência da Estrada de Ferro UNIÃO Mineira. Um desses exemplos foi o município de Bicas.

Com o passar dos anos, ela foi estendida até o município de Caratinga, expansão essa já feita pela E.F. Leopoldina. Uma ferrovia mista, como sempre propomos, levando de tudo, algumas estações construídas posteriormente, chamadas leiteria, construídas única e exclusivamente para levar o leite da região.

 

A COMISSÃO EXTRAORDINÁRIA PRÓ-FERROVIAS MINEIRAS: UM DESASTRE ANUNCIADO

Na penúltima legislatura da ALMG um determinado deputado cria a Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras.

O deputado que a criou e a presidiu, teve uma ótima ideia, mas cometeu um enorme erro, se cercou de egressos da RFFSA, que com sua mente estatista, tacanha e limitada, em nenhum momento propuseram a participação dos empresários em novas ferrovias, em nenhum momento entenderam que precisariam da parceria do estado do Rio de Janeiro para novos projetos ferroviários mineiros, a comissão fracassou e não implantou um único km de trilho.

Querem entender um pouco o motivo dessa relação deletéria de alguns egressos da RFFSA? Leiam a postagem abaixo:

O multiverso da loucura, o Brasil da realidade paralela, sua distopia, e as ferrovias

Abaixo nosso manual para reconstrução de ferrovias onde deixamos claro a necessidade de coibir a participação de egressos na RFFSA nesses projetos e os motivos disso.

Manual Prático para Reconstrução de Ferrovias

Que fique claro, nada contra o ex-deputado, mas ele foi enganado, o pior é saber que ele continua pelos bastidores da ALMG prestando consultoria, certamente ele em nenhum momento fala da Estrada de Ferro UNIÃO Mineira, ou de como as ferrovias mineiras no passado foram constituídas. COM O MACICO APOIO DA POPULAÇÃO E DO EMPRESARIADO COMO ACIONISTAS.

Se o deputado tivesse nos dado ouvidos na ocasião, talvez o resultado dessa comissão tivesse sido outro.

VEJA TAMBÉM  O motivo do fracasso das ferrovias no Brasil (3) — As cortesias e déficits

Observem notícia retirada da página da própria ALMG sobre a questão do trem em Minas Gerais, em nenhum momento se menciona investimento de outras empresas, participação da população, nada. Bem ao estilo RFFSA. E em nenhum momento durante o tempo que pesquisamos foi mencionada a Estrada de Ferro UNIÃO Mineira. Será que algum membro da comissão ou algum egresso da RFFSA que orientou essa comissão, ouviu falar dessa empresa?

https://www.almg.gov.br/comunicacao/noticias/arquivos/Comissao-cobra-investimentos-ligados-a-ferrovia-em-Minas-Gerais/

A maior prova de que essa comissão nunca teve futuro foi a nomeação de uma advogada para a secretaria de infraestrutura que falava com orgulho das dicas sobre ferrovia que recebia por parte dos egressos da RFFSA que ajudaram a comissão.

É uma cilada, Bino.

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Abaixo mapa retirado do Blog O Trem Expresso mostrando o mapa ferroviário de Minas Gerais, o que existia, e certamente o que não existe mais. Conseguem mensurar o tamanho da destruição?

Nesses tempos que se fala tanto em reparação histórica, o povo de Minas Gerais deveria exigir reparação histórica pela lambança que o pessoal da RFFSA fez em seu território.

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Fonte: O Trem Expresso

Parte dessa destruição tem a ver com a guerra das bitolas, e com um episódio tenebroso e nunca comentado que só nós abordamos em nossa postagem envolvendo o trecho D. Silvério x Nova Era.

CONCLUSÃO

Obrigado a quem chegou aqui. Esperamos ter ajudado e ampliado o conhecimento dos interessados.

Agradecemos postumamente a todos os que investiram na construção dessa estrada e têm seus nomes descritos no relatório da empresa.

Convidamos os mineiros moradores dessas cidades que inicialmente foram atendidas pela Estrada de Ferro UNIÃO Mineira a procurarem na relação de nomes dos investidores os nomes de eventuais antepassados e procurem alguma maneira de reverenciá-los.

A essas pessoas mais uma vez nosso muito obrigado.

Quem quiser conhecer nossas propostas sobre logística e ampliação da malha ferroviária privilegiando a integração Rio de Janeiro x Minas Gerais, com a participação do empresariado, pesquisem logística em nossa página, a quantidade de artigos provavelmente vai surpreender.

A quantidade de informações que disponibilizamos aqui sobre a Estrada de Ferro União Mineira reconhecemos que foi pouca, até pela dificuldade em consegui-la, mas no Blog Trem Expresso existem muito mais informação disponível aos interessados, entendam, o que publicamos aqui, apenas como uma centelha que pretendemos seja o início de uma enorme fogueira.

Embora com uma quantidade de informação bem pequena resolvemos fazer esse texto como uma homenagem ao nome da empresa. Estrada de Ferro UNIÃO mineira, nome extremamente simbólico ao se ler o primeiro relatório da assembleia-geral e a enorme quantidade de acionistas.

Fizemos questão de colocar ao longo do texto a palavra UNIÃO em maiúscula para simbolizar o que foi o início da construção dessa ferrovia.

  • A UNIÃO de um povo para realizar uma obra que beneficiou a todos.
  • A UNIÃO de um povo para realizar um bem comum.

Como isso está em falta atualmente.

Agradecimentos: Blog Trem Expresso, e Estações Ferroviárias do Brasil

Autor

  • Mozart Rosa

    Iniciou sua carreira profissional em 1978 trabalhando com um engenheiro que foi estagiário da RFFSA entre 1965 e 1966, que testemunhou o desmonte da E.F. Cantagalo e diversas histórias da Ferrovia de Petrópolis. Se formou Engenheiro Mecânico pela Faculdade Souza Marques em 1992, foi secretário-geral Trilhos do Rio no mandato 2017-2020 e atualmente ocupa o cargo de redator do site, assessor de contatos corporativos e diretor-técnico.

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