Exoneração de Washington Reis mantém ambiente tenso no Palácio Guanabara

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 08/07/2025
🕚 12h00
📷 Estadão

 




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A situação política no Palácio Guanabara segue tensa, e o governador Cláudio Castro (PL) continua tentando encontrar uma forma de contornar, com o mínimo de desgaste possível, a crise deflagrada com a exoneração de Washington Reis (MDB) da Secretaria de Transportes. A decisão, assinada pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), durante o exercício interino do governo, foi vista como uma afronta direta à autoridade de Castro e ampliou ainda mais o racha dentro da base aliada.

Nos bastidores, é consenso entre aliados de Castro que o governador não deverá revogar a exoneração, mesmo que a medida tenha sido tomada em sua ausência. Bacellar teria condicionado sua permanência como pré-candidato ao governo estadual à manutenção da demissão, deixando claro que uma eventual reversão colocaria em xeque sua aliança política com Castro. A ameaça não é vista como blefe: Bacellar vem consolidando espaço político e tem forte influência na Assembleia Legislativa, o que torna sua movimentação relevante no tabuleiro eleitoral de 2026.

Diante do impasse, Castro passou o início da semana consultando aliados próximos e membros do núcleo político do governo em busca de uma solução que preserve sua autoridade sem provocar uma ruptura definitiva com Bacellar. Entre as possibilidades ventiladas estão a nomeação de um nome de consenso para a pasta dos Transportes ou uma eventual reorganização do secretariado que contemple as principais forças da base, diluindo o impacto do gesto de Bacellar.

A indefinição tem alimentado a expectativa em torno das próximas edições do Diário Oficial do Estado, que podem trazer novas movimentações de cargos como tentativa de reacomodar interesses e pacificar os ânimos. Embora Washington Reis não tenha sido chamado para qualquer conversa formal com o governador, sua demissão — além de causar desconforto — acirra a disputa entre diferentes grupos dentro do governo, sobretudo por sua ligação com o prefeito Eduardo Paes (PSD), adversário direto de Castro no campo político-eleitoral.

A crise, que agora ganha tons de embate interno, já vinha sendo alimentada há muito tempo. Deputados aliados de Bacellar usavam a tribuna da Alerj de forma recorrente para pressionar o governo pela saída de Reis, alegando conflito de interesses e excessiva aproximação com Paes. Castro, até então, optava por evitar confrontos, mas a atuação silenciosa acabou sendo interpretada como fraqueza, abrindo margem para que Bacellar tomasse a frente e decidisse por conta própria a exoneração.

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O movimento, por outro lado, gerou uma reação em cadeia. Se, por um lado, expôs uma insatisfação latente entre parte da base, por outro, colocou Castro numa posição desconfortável, tendo que decidir entre reafirmar sua autoridade ou evitar o aprofundamento da crise política. A agenda do governador para os próximos dias inclui viagem a Brasília, possivelmente na quarta-feira, para acompanhar a votação dos vetos presidenciais ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), considerado essencial para o equilíbrio das contas fluminenses.

Enquanto isso, o clima segue de tensão máxima no cenário político do estado. A exoneração de um dos nomes mais conchecidos do secretariado de Castro tornou-se símbolo de um cabo de guerra que pode ter desdobramentos significativos no arranjo de forças para a eleição de 2026. E até que o governador defina sua postura final, o ambiente seguirá marcado por incertezas, articulações de bastidores e um evidente desgaste institucional.

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
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