[VÍDEOS] Incêndio atinge trem abandonado em Japeri e levanta suspeitas sobre ação criminosa
Incêndio em trem da Supervia
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✍️ Redação Trilhos do Rio, baseada em notícia do Jornal Extra e relatos em redes sociais Trilhos do Rio
📅 02/07/2025
🕚 14h40
📷 Redes Sociais
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Na tarde desta quarta-feira (2), um incêndio de grandes proporções atingiu um dos trens fora de operação que permanecem abandonados em uma área conhecida como “cemitério de composições”, nas imediações da estação de Japeri, na Baixada Fluminense. O fogo consumiu pelo menos um carro da composição rapidamente, gerando cenas impressionantes registradas por moradores e divulgadas nas redes sociais. Apesar do impacto visual e da proximidade com a via férrea, a operação dos trens não foi interrompida.
A composição atingida fazia parte de um lote de 79 trens classificados como “inservíveis” ou “não operacionais” em relatório elaborado pelo Departamento Técnico de Patrimônio da Companhia Estadual de Transportes e Logística (Central), entidade que sucedeu a antiga Flumitrens. Fabricadas entre as décadas de 1970 e 1980, as composições das séries 500, 700 e 900 estão completamente desativadas — muitas sem portas, sem equipamentos internos e com diversos componentes removidos, como cabos elétricos, peças do sistema de freio, tubulações e painéis de controle.
O trem que pegou fogo já havia sido identificado como estando isolado no pátio, pichado na parte frontal e com sinais evidentes de abandono. Imagens recentes já mostravam o entorno vulnerável, com sinais de uso por dependentes químicos e indícios de atividades noturnas suspeitas, incluindo a presença de objetos utilizados no consumo de drogas dentro de alguns carros.
Por estar desconectado da rede aérea de energia e desprovido de qualquer ligação elétrica funcional, o trem incendiado não possuía fonte energética ativa. Isso levanta a hipótese de que o fogo tenha origem humana — e possivelmente criminosa. A SuperVia, concessionária que administra o sistema ferroviário urbano do Rio, informou em nota que está apurando se o incêndio foi causado por ato de vandalismo.
Segundo a empresa, o trem atingido já estava em processo de desvinculação patrimonial e seria devolvido ao poder concedente para posterior leilão como sucata. O Corpo de Bombeiros foi acionado e atuou para conter as chamas. Felizmente, não há registros de feridos.
A ocorrência reacende o debate sobre a vulnerabilidade dos pátios ferroviários, especialmente em regiões periféricas onde o abandono de composições se transforma em um risco real em vários sentidos. Para os moradores da vizinhança, a presença constante de trens desativados se tornou motivo de preocupação, servindo de esconderijo, depósito de lixo, ponto de uso de drogas e até mesmo palco de possíveis crimes. Muitos consideram o espaço uma “zona livre” durante a noite, fora de qualquer fiscalização efetiva.
O caso também coloca em xeque a política de destinação de material rodante fora de uso, que segue se acumulando em áreas operacionais sem qualquer proteção ou reaproveitamento adequado. A expectativa é de que os 79 trens sejam finalmente leiloados, mas ainda não há prazo definido para que essa remoção seja realizada. Enquanto isso, a presença desse “cemitério de trens” continua a representar riscos de segurança, saúde pública e integridade do patrimônio público ferroviário.
