Estação ferroviária em Três Rios é incluída em Lista de Patrimônio Cultural Ferroviário

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✍️ Redação Trilhos do Rio
📅 30/04/2025
🕚 13h59
📷 Leandro D’Ornellas/IPHAN


Em 17 de abril, a Estação Ferroviária de Três Rios, localizada no município de mesmo nome no estado do Rio de Janeiro, foi oficialmente reconhecida como parte do Patrimônio Cultural Ferroviário, conforme publicação no Diário Oficial da União. A decisão foi tomada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com base nos critérios estabelecidos pela Lei nº 11.483/2007 e pela Portaria nº 17/2022, destacando os aspectos históricos, artísticos e culturais do imóvel.




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Popularmente chamada de Casa de Pedra, a estação é o último exemplar preservado da antiga rede ferroviária trirriense. Desde sua inauguração, em 1901, ela teve papel crucial como ponto de interligação entre as linhas que conectavam a capital fluminense a cidades do interior e à região da Zona da Mata, em Minas Gerais. O trajeto começava na Estação Barão de Mauá, no Rio de Janeiro, atravessava Duque de Caxias, subia a serra de Petrópolis e chegava à Casa de Pedra, próximo à divisa interestadual. Lá, a composição era dividida em dois ramais: um com destino a Manhuaçu e outro a Caratinga.

Durante décadas, o edifício foi considerado exemplo representativo da arquitetura voltada para o transporte ferroviário. Com o tempo, mudanças operacionais provocadas por acordos entre a Estrada de Ferro Central do Brasil e a Leopoldina Railway fizeram com que a operação de passageiros migrasse para outra estação da cidade, deixando a Casa de Pedra como sede de oficinas e movimentação de cargas.

Além de sua arquitetura singular, a estação simboliza um capítulo importante da memória ferroviária local. Esse reconhecimento levou ao seu tombamento pela administração municipal e à transformação do espaço em um centro para atividades culturais, científicas e educativas, fruto de um acordo firmado entre a Prefeitura de Três Rios e a extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).

A decisão do Iphan vai além da valorização da estrutura física: ela reafirma o papel da estação dentro da antiga malha ferroviária nacional. Atualmente classificada como bem ferroviário não operacional, a Casa de Pedra agora integra oficialmente os esforços federais de preservação da história dos transportes sobre trilhos no Brasil.

Com a dissolução da RFFSA, o Iphan assumiu a responsabilidade de preservar os bens considerados relevantes historicamente, nos termos da Lei nº 11.483/2007. O acervo herdado conta com mais de 52 mil imóveis e cerca de 15 mil itens móveis — entre locomotivas, vagões, mobiliário, documentos e estações — reunindo um valioso patrimônio da era ferroviária nacional.

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Para sistematizar essa proteção, foi criada a Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário, inicialmente instituída pela Portaria nº 407/2010 e atualmente regida pela Portaria nº 17/2022. Essa listagem já contempla 644 bens avaliados tecnicamente. A inclusão de um bem na lista passa por uma análise nas superintendências estaduais do Iphan e posterior homologação da Presidência do Instituto. Aqueles que não estão mais em operação são transferidos para a gestão do Iphan; os que permanecem ativos seguem sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em cooperação com o Instituto.

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    O Departamento de Pesquisas e Projetos Trilhos do Rio surgiu como um grupo de amigos, profissionais, entusiastas e pesquisadores ferroviários que organiza, desde o ano de 2009, eventos, atividades e pesquisas, tanto documentais quanto em campo, sobre a história e patrimônio ferroviário do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a história e memória dos transportes sobre trilhos fluminenses.
    Entre os anos de 2014 e 2021 fomos formalizados como uma ONG, a Associação Ferroviária Trilhos do Rio, e desde 2024 fazemos parte, como um departamento, da Associação Ferroviária Melhoramentos do Brasil

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