CONTINUAÇÃO DA QUINTA PARTE DO ARTIGO
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Algumas Curiosidades Sobre os Corantes Têxteis.
O corante Vermelho, também chamado de carmim, era extraído do inseto cochonilha, que é nativo da América Latina e vive em cactos. O processo para obter o corante é o esmagamento de tais insetos.
Com a descoberta do Brasil e do Pau Brasil, o Pau Brasil passa a ser usado pela sua resina para fornecer o corante têxtil vermelho.
O Urucum também era muito usado pelos índios para obtenção de vermelho.
O corante Azul, inicialmente obtido com o Anil, era originalmente obtido de plantas, existindo há milhares de anos. Foi usado durante anos para clarear roupas. Embora o Anil não seja um alvejante, ele produz o chamado branco ótico. Em contato com o sol, ele produz em roupas já brancas um branco acentuado. Provavelmente ele foi usado na antiguidade, pelos gregos e romanos com essa função.
Foi muito usado nos Estados Unidos durante boa parte do século XIX, como corante para obtenção do azul-índigo, sendo o azul oficial das calças jeans. Não tinha fixação e saía depois de algumas lavagens.
O corante Amarelo era obtido do Açafrão.
O corante Bege, cujo nome vem da palavra francesa beige, que significa “sem cor”, era obtido da mistura de azul, vermelho, corantes então já existentes e verde. O verde era obtido de folhas.

O corante preto era o mais fácil de se obter, bastava moer o carvão até chegar a um pó bem fino.
Nenhum desses corantes daquela época tinha os tons que existem hoje, era tudo bem diferente, nos filmes e nos desenhos que foram feitos bem posteriormente os tons usados nada tem a ver com os verdadeiros.
Hoje, todos são obtidos artificialmente.
Entenderam os motivos limitantes de apenas determinadas cores, tanto no vestuário das pessoas como em fardas militares? Lembrando que, pela inexistência de fixadores, essas cores vividas dificilmente existiram no cotidiano dos militares ou das pessoas, existiam só nas pinturas.
Para terminar essa parte das cores uma curiosidade:
O Lilás / Purpura / Berinjela / Roxo, essa cor era inicialmente chamada de púrpura e existem menções a ela desde os fenícios 400 anos antes de cristo.
O Roxo como conhecemos hoje ou como se dizia no passado a purpura, nada mais é, do que a união de tons de vermelho, com tons de azul, os percentuais, de cada cor primaria, resultam em um roxo, ou lilás que na realidade são variações da escala de cor. Considerando que na época a obtenção do vermelho e do azul era algo precário essa combinação nunca deve ter sido feita para obtenção de uma terceira cor.
No Império Romano, era uma cor muito cara de se obter, e rara, era obtida a partir de uma secreção leitosa extraída de caramujos da espécie Múrex, do Mar Mediterrâneo.
A púrpura era uma tintura muito cara e rara, e era reservada para as roupas da nobreza e para as paredes de grandes edifícios públicos. Na Roma antiga, o imperador Nero punia com morte quem violasse a regra de usar a púrpura.
Provavelmente o roxo usado pelos Cardeais tenha origem nisso, pela raridade da cor.
Abaixo uma cartela de cores com vários tons de roxo.
Sobre o linho, com o tempo ele perdeu seu reinado para outros tecidos na fabricação de ternos por amassar com facilidade. Foi substituído pelos seguintes tecidos:
- Sarja – Um tecido macio, feito de lã pura ou mista em linhas diagonais.
- Crepe – Um tecido encorpado e pesado, feito de poliéster e elastano, que é elástico e confortável.
- Microfibra – Um tecido sintético que imita a aparência e textura da lã, sendo durável, fácil de cuidar e mais barato.
- Oxford — Um tecido leve e encorpado, feito de algodão e poliéster.
- Lã fria – Tecido fresco, mas mais caro, são tecidos confortáveis.
Todos são uma mistura de fibras sintéticas com algodão.
Mesmo assim, o linho ainda tem adeptos, apesar de hoje ser bem mais caro, é adequado para o clima de uma cidade quente como o Rio de Janeiro por ser bem fresco e confortável.
Como veem, essa obsessão pelo branco tem raízes históricas e técnicas.
Outras utilidades do Vapor, Seu uso no Tingimento
O vapor não serve só para mover locomotivas ou máquinas de tear, o uso do vapor revolucionou a indústria.
O vapor serve para esterilizar vidros, alimentos embalados e embalagens em geral. O vapor superaquecido permite fixar melhor os corantes que tingem as roupas. O uso do vapor nas indústrias são inúmeros. Basta olhar o setor de alimentos enlatados de um mercado e se verá a importância de uma caldeira estacionaria.
Em 1867, George Herman Babcock e Stephen Wilcox, fundaram a Babcock & Wilcox Company, empresa criada por ambos para fabricar a caldeira estacionaria de tubos que ambos haviam inventado. Essa caldeira a vapor revolucionou a indústria.
Essa empresa, fundada por esses dois senhores, com o tempo cresceu, diversificou sua produção e se tornou grande fornecedora de diversos equipamentos para vários segmentos industriais.
A menção a essa empresa e seus produtos têm um lado afetivo, ela chegou a ter duas fábricas no Rio de Janeiro, uma no distrito industrial de Santa Cruz e outra no distrito industrial de Resende. Ela chegou ao Brasil na década de 70, para atender o projeto nuclear desenvolvido pelo governo Geisel. Após as inúmeras crises do Brasil, ela saiu de nosso estado, mais uma empresa a abandonar o Rio de Janeiro, mais uma empresa a abandonar Resende.
Fizemos questão de citar essa empresa, pois caso uma das propostas Trilhos do Rio como a queima de lixo para geração de energia elétrica, seja acatada a Babcock & Wilcox Company, pela especialização que tem no assunto, poderá ser a empresa contatada pelos futuros empresários do setor para fabricar os diversos equipamentos necessários. Bom seria se ela voltasse para o Rio de Janeiro para fabricar tais equipamentos, mas emprego para o povo do Rio de Janeiro e quem sabe para os moradores de Resende com a reabertura da fábrica que existia lá.
Para fixar corantes em roupas é preciso de água quente ou de vapor, além do uso de fixadores que só são descobertos no século XIX.
Em 1938, surge no Brasil a ATA Combustão Técnica, sendo, com o tempo, a maior fabricante de caldeiras estacionárias do Brasil, localizada em Petrópolis, no Rio de Janeiro, caldeiras essas extremamente importantes para o tingimento e outras atividades industriais.
Alguém lembra da novela “O Clone” da rede Globo gravada no Marrocos? E dos tanques de tingimento de roupas que apareciam? Tanques esculpidos na pedra? No Marrocos, faz 50 °C à sombra, com essa temperatura de água, fica fácil tingir.

Algumas Informações Sobre a Tecelagem Moderna.
Existe hoje uma enorme variedade de tecidos mistos, onde a fibra natural é misturada com fibras sintéticas ou tecidos produzidos apenas com fibras sintéticas, melhorando o desempenho dos tecidos, diferente do passado onde após fabricado o tecido era tingido, hoje se fabricam tecidos com fios já tingidos, um exemplo são as roupas produzidas pela marca Insider, empresa que tem patrocinado diversos youtuber, o tecido usado por essa empresa é produzido com fios sintéticos muito finos já tingidos, é produzido um tecido já com a cor pretendida que depois é cortado e a roupa então é produzida, isso simplifica bastante operações dentro das fábricas de tecido.
A poliamida, tecido que é matéria-prima básica da roupa íntima feminina, é produzida nos teares convencionais, mas seu fio já é fornecido para as tecelagens tingidas. No governo Figueiredo, um empresário carioca do setor de moda íntima quis construir no Rio de Janeiro uma fábrica de caprolactama, matéria-prima para a produção dos fios de poliamida, entre outros produtos, e por conta da burocracia do estado do Rio de Janeiro não conseguiu.
A poliamida representou uma revolução para as mulheres. Diferente do algodão das roupas íntimas de nossas avós, a poliamida se amolda ao corpo feminino, prendendo melhor o absorvente e dando mais conforto e mobilidade à mulher. Nos Estados Unidos, quase 80% das mulheres americanas usam absorvente interno, no Brasil esse número cai bastante, mesmo assim a roupa íntima feminina fabricada com poliamida facilita bastante a vida das mulheres. A poliamida é uma das 10 fibras têxteis mais usadas no mundo.
Diferente dos homens, que preferem roupas largas, mulheres gostam de roupas justas. O humorístico Casseta e Planeta, em determinada época, vendia camisetas com desenhos humorísticos, fez um desenho para camiseta chamado “vamos criar o bicho solto” onde aparecia a figura de uma criança usando uma enorme cueca. Não encontramos o desenho original e fizemos esse.
Não custa lembrar do passarinho, personagem dos comerciais das cuecas Zorba, vejam o vídeo:
A DeMillus cresceu e enriqueceu por isso, pela fabricação de roupa íntima feminina em poliamida. Na sequência, todas as fábricas dedicadas a esse segmento fizeram o mesmo, as roupas íntimas femininas fabricadas em algodão, hoje em dia, têm elastano em sua composição, mais um produto têxtil misto.
Todo nosso respeito e admiração pelo Sr. Nahum Manela, já falecido, fundador da DeMillus, mais um grande empresário carioca ignorado. O empresário visionário que um dia quis construir no Rio de Janeiro, com capital dele e de judeus nova-iorquinos, uma fábrica de Caprolactama.
O suplex tecido adorado pelas mulheres, usado na fabricação de leggings e biquínis, é uma mistura de poliamida e elastano. Outro tecido também adorado pela mulherada é o Cirrê, usado na fabricação de legging, também composto de poliamida e elastano, que se diferencia do suplex pelo tratamento que recebe no acabamento e pelo percentual dos produtos que o compõe. O Cirrê tem brilho e mulheres adoram o brilho.
Graças a burocratas medíocres, perdemos a oportunidade de ter uma fábrica aqui no Rio de Janeiro de Caprolactama, matéria-prima para a produção de poliamida, como veem hoje, um dos tecidos mais vendidos no Brasil.
E o motivo disso é simples, homens tem uma quantidade finita de cuecas, mulheres se pudessem teriam um cômodo só para calcinhas. Além é claro de bolsas e sapatos.
Conseguiram perceber a evolução tecnológica existente em um único tecido, e a quantidade de pessoas e áreas do conhecimento necessárias para produzir esse tecido?
A Química Moderna
Falamos aqui muito da química, uma das ciências que com seu desenvolvimento tem trazido muitos benefícios para a humanidade. Recentemente recebemos essa programação de uma semana de química promovida por uma instituição de ensino sobre teoricamente o assunto? Sic..
Alguém pode explicar o que esses assuntos têm a ver com a química, ou o que esses estudos contribuem para o ensino da química? Será que os homens citados aqui anteriormente, teriam feito suas descobertas se estivessem preocupados com tais assuntos?
PALESTRA 1
10/08/2022 09:30h: Dos porões aos laboratórios de química: a presença de mulheres negras nas universidades.
PALESTRA 2
10/08/2022 14:00h: O protagonismo do ensino de química diante da diversidade e dos direitos humanos!
PALESTRA 3
11/08/2022 09:30h: Ensino de química como resistência: vamos contar outras histórias?
PALESTRA 4
11/08/2022 14:00h: A formação docente de química frente as questões raciais no século XXI.
PALESTRA 5
12/08/2022 09:30h: O desmonte das universidades e o prejuízo para a educação brasileira.
PALESTRA 6
12/08/2022 14:00h: Pessoas transexuais (in)visíveis nos debates da educação química
O Estado do Rio Sempre Perdendo Oportunidades
Mais uma vez o estado do Rio de Janeiro, como sempre, perdendo oportunidades. Pesquisas misturando o linho a fibras sintéticas, melhorando a capacidade do linho de não amassar com facilidade, as modernas técnicas de tingimento, podendo dar ao linho novas e modernas cores, poderiam fazer o linho deslanchar novamente como o queridinho na fabricação de ternos e vestidos. Para ajudar nisso, aqui no Rio de Janeiro temos o SENAI CETIQT – Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil que poderia investir no desenvolvimento e no aperfeiçoamento desse produto e adivinhem quem é o estado que poderia ser o grande produtor do linho que fica bem ali do lado? Pois é, Minas Gerais, aquele estado que nossos formuladores de políticas de logística e políticas industriais desconhecem. Fugiram das aulas de geografia, e a noite ao chegarem em casa certamente entram no guarda roupas e vão para Narnia.
Uma proposta onde eles mineiros produzissem o linho e indústrias aqui do Rio de Janeiro o transformassem em tecido geraria empregos em ambos os estados. E quem sabe trazendo esse linho por ferrovias.
Minas Gerais hoje não é um grande produtor de linho, mas assim como a EMBRAPA fez do Brasil um grande produtor de SOJA, poderia fazer de Minas Gerais um grande produtor de linho?
Será que esses formuladores de políticas industriais e de logística do Rio de Janeiro, sabem o que o SENAI tem a oferecer em seus outros centros? Como curiosidade, fica aqui uma informação. O SENAI tinha uma unidade em Vassouras que cuidava do desenvolvimento de alimentos e bebidas e fechou, seus equipamentos estão empacotados em uma unidade do SENAI aqui da cidade do Rio de Janeiro. Era o Centro de Tecnologia de Alimentos e Bebidas.
Já leram as postagens Trilhos do Rio falando da Rodovia das Águas, dos Planos de Negócio e de por que nossa logística é tão ruim? Procurem, em todas essas postagens mostramos o quanto uma integração econômica com Minas Gerais seria proveitosa para a economia de ambos os estados, essa seria apenas mais uma.
https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/rj-159-a-rodovia-das-aguas-2/
https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/logistica-no-rio-de-janeiro-por-que-e-tao-ruim/
https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/plano-de-negocios-ii-primeira-parte/
https://www.trilhosdorio.com.br/aftr_wp/plano-de-negocios-ii-parte-final/
Alguém leu a postagem da Rodovia das Águas? Leram a parte onde falamos da Yakult e da Nissim? Pois é doloroso saber que, graças à inépcia de nossos burocratas, perdemos a implantação aqui no Rio de Janeiro dessas duas indústrias. Mas a coisa só piora, o escore Rio de Janeiro x Paraná, é uma tragédia para o Rio de Janeiro, achamos conveniente parar de contar. A humilhação é muito grande.
A Nissim ao construir sua fábrica nova e escolher o Paraná construiu uma fábrica monstruosa, uma das mais modernas fábricas da Nissim do mundo. O que impede a direção da Nissim do Brasil de construir anexo a fábrica um museu do Cup Noodles como os que existem em Yokohama e Osaka no Japão, e que hoje atraem turistas de várias partes do mundo?
Se isso acontecer, o Paraná vai ter um ponto turístico de apelo internacional. Obrigado, burocratas incompetentes do Rio de Janeiro.
Na data de publicação desse artigo a situação econômica do Brasil não é boa, mas os governos mudam, a construção desse museu passa a ser uma possibilidade em outra conjuntura econômica.
E como sempre nosso estado perdendo oportunidades.
Esse é o fim da primeira parte onde abordamos a tecelagem. Esperamos que todos tenham gostado das informações históricas, muitas desconhecidas pela maioria.
Falaremos também do desenvolvimento econômico de nosso estado, assunto de abordagem recorrente. Esperamos que alguém com poder de mando leia e entenda o que propomos.
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