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Divagações Filosóficas sobre Possíveis Locais onde e como a Tecelagem possa ter surgido.
O homem primitivo e mesmo alguns atuais usam lanças para pescar. Mas isso em rios, no mar é bem mais difícil. Sendo assim, com o tempo e querendo pescar peixes maiores, é provável que para pescar no mar, os homens primitivos tenham desenvolvido técnicas de criar linhas com fibras vegetais para poder pescar, descobriram ali a fiação.
O homem primitivo desenvolveu técnicas de pesca usando gaiolas de madeira. É possível que, usando essas linhas usadas anteriormente para a pesca e inspirados no formato das gaiolas, tenham usado essas linhas trançadas para construir redes.
Essas linhas provavelmente despertaram o interesse de membros dessa comunidade para unir as peles de animais já usadas sem nenhuma manufatura até então, para dormir, ou para se cobrir no frio. É possível, e ficamos aqui no campo das possibilidades, que esses primeiros homens e mulheres tenham resolvido unir essas peles com as linhas então criadas, usando agulhas feitas de ossos, criando as primeiras roupas. Existem vestígios arqueológicos dessas agulhas.
É provável também que em algum momento um homem mais talentoso tenha percebido que poderia trançar essas linhas de maneira mais apertada, criando o antepassado do tecido atual, talvez observando teias de aranha.
Não devem ter produzido esse tecido primitivo inicialmente para transformar em roupas, devem ter usado para se proteger do frio, dos ventos ou do sol. Novamente, aqui levantamos apenas uma hipótese plausível, mas apenas uma hipótese.
É possível que os primeiros tecidos tenham servido de absorvente para as mulheres da época. Jamais saberemos ou serão encontrados vestígios disso, os tecidos se desfazem com o tempo, mas é uma hipótese. A corroborar essa hipótese, os teares descobertos pertencentes às antigas civilizações pré-colombianas são bem estreitos. É possível que esses tecidos primitivos tenham também tido uso ritualístico.
Posteriormente, a técnica de tecelagem se aperfeiçoa e a técnica de produção de fio também, procurando fibras vegetais mais adequadas como o algodão e criando o tecido como o conhecemos hoje.
Para posteriormente transformar esse tecido em roupa, imaginamos que tenha sido um pequeno passo. Sendo assim, a partir dessas divagações, a tecelagem surgiu provavelmente em uma região costeira em uma época bem remota.
Apresentamos aqui apenas divagações, sem nenhum embasamento confirmado.
As Guildas.
Com a queda do império romano, foi preciso que a população se organizasse em novas estruturas de poder, novos arranjos econômicos e uma das primeiras e obvias coisas foi manter o povoamento em volta dos antigos campos militares romanos que deram origem a diversas cidades modernas.
- Londinium virou Londres.
- Barcino virou Barcelona.
- Hispalis virou Sevilha.
- Massalia virou Marselha.
Só para citar alguns exemplos. Existem várias cidades na Europa que nasceram a partir desses campos militares.
Foi preciso também criar alguma organização sobre os artífices da época, ferreiros, pedreiros, costureiros, etc., surgem então as Guildas, que seriam as antecessoras dos sindicatos, das cooperativas e das associações de classe atuais. Fazer parte de uma Guilda era símbolo de competência, existia um mestre e esse mestre quem dava aos eventuais novos membros a chancela para esses novos membros exercerem a sua profissão. Não existiam empresas como conhecemos hoje, ao fazer parte de uma Guilda o artífice se tornava reconhecido e normalmente em volta dele tinha aprendizes que com o tempo se tornavam artesãos e assim o ciclo se renovava, esse artífice quando tinha filhas muitas vezes essas filhas exerciam a profissão do pai.
Observem no filme Coração de Cavaleiro de 2001, com o falecido ator Heath Ledger, fazendo o papel principal, onde a atriz, Laura Frazer interpreta a personagem Kate, uma ferreira, que pode perfeitamente ter existido, pois em teoria sendo filha de um ferreiro e sendo filha única, pode ter aprendido o ofício com o pai, e com a morte do pai teria herdado a profissão. Se o objetivo ao colocar esse personagem era lacrar, falharam miseravelmente. Apesar de ser uma obra de ficção, esse personagem pode ter existido. Claro que em um contexto diferente do filme, que é totalmente ficcional.


Para entender melhor todo esse contexto da relação do mestre com os artífices e aprendizes, abaixo o filme com a falecida atriz Brittany Murphy, que no Brasil teve o nome de O Sabor da Paixão, e que no original se chamava The Ramem Girl, cuja tradução correta seria A Garota do Ramem. Para quem não associou o nome a pessoas, Ramem é como os japoneses chamam o Lamen, o nosso popular Miojo. japoneses não usam a letra L.
O filme é uma comédia e narra a história de uma garota da atualidade que viaja para o Japão e resolve ser especialista em Ramem, e mesmo no Japão moderno percorre o mesmo caminho dos aprendizes medievais, se associa a um profissional no caso aqui um cozinheiro rabugento, para posteriormente receber de um mestre em Ramem o reconhecimento, idêntico ao que acontecia na idade média, onde não existiam escolas.
O filme em si não é grande coisa, mas mostra de forma bem interessante essa questão medieval trazida para os dias atuais. Esse filme está disponível no YouTube.

Mas e as empresas em si, como as conhecemos hoje, um espaço físico produzindo algo com empregados, com horário de entrada e saída, de onde surgiram? Em que momento saímos das Guildas para as empresas como as conhecemos na atualidade?
Para entender um pouco disso, abaixo um artigo do Sr. Stephen Kanitz que mostra isso e de onde acreditamos tenha surgido esse conceito de que ali surgiu a revolução industrial, como dito nos livros, afinal os eventos narrados começam em 1733, quando John Kay inventa ainda sem motores a vapor, ou movidos pela força das águas, um tear manual mecânico, que aumentava incrivelmente a produtividade. Novamente os tecidos como protagonistas da evolução humana.
Conheça A Primeira Empresa Capitalista
Stephen Kanitz
A maioria de nossos jovens não foi exposto nas escolas e universidades ao outro lado da questão do capitalismo democrático. A maioria dos pais também não.
Portanto, peço que estudem alguma coisa de ciência política e ensinem os seus filhos que nem tudo é preto e branco. Vou descrever como começou a primeira fábrica capitalista, e quais foram os problemas de implantação. Não dá para entender capitalismo sem começar no início.
Karl Marx pegou o bonde da industrialização andando, por isso formulou uma teoria sem comprovação científica.
Em 1733, John Kay inventou um tear manual mecânico, que aumentava em 5 vezes a produtividade de um tecelão. Até então, tecelões trabalhavam em casa, com um simples tear manual, veja a foto, levava uma semana para fazer um metro.
John Kay construiu 20 teares semimecânicos ao longo de 5 anos, construiu um galpão e um refeitório, e aí saiu à cata de funcionários. Sua primeira opção foi oferecer emprego justamente para quem já trabalhava em casa. Estes ganhavam entre 60 e 100 shillings por mês, conforme os pedidos.
John Kay bate na porta de Bill Smith e oferece 140 shillings por mês, faça sol, faça chuva, eliminando a incerteza de renda que deixava os tecelões independentes aflitos. Bill agradece, mas diz não, porque ele prezava sua liberdade. “Eu quero ser dono de meu nariz, e não quero ter um patrão”.
John Kay aumenta então a oferta para 200 shillings mais 13 salários e Bill, com restrições, aceita. “Muito bem, segunda-feira você aparece no galpão, aqui está o endereço.” Diz John Kay. “Como? Eu vou ter que andar 16 km por dia? Nada feito”. Não vou perder duas horas por nada.
John Kay aumenta então a oferta para 300 shillings que era possível justamente devido ao aumento de 5 vezes da produtividade. Dos 5, 3 ficariam com Bill, 2 ficariam com John. Bill aceita.
“Ótimo, então você está contratado. Segunda-feira, você começa. Seu horário será das 8:00 às 18:00, seis dias por semana”. “Horário? Nunca ouvi essa palavra?” diz Bill. “Como somos 20 pessoas em cooperação mútua, todos terão que chegar ao mesmo tempo, e sair ao mesmo tempo, o que chamamos de horário”, responde Kay. “Você terá que cumprir horário e terá que ser pontual” diz John.
Daí surge a famosa pontualidade inglesa, e muita insatisfação para nós, trabalhadores.
E a visão de Karl Marx de que o capitalismo define a vida do trabalhador vem dessa necessidade do horário.
Tanto que Bill recusa mais uma vez, e a primeira fábrica capitalista simplesmente não vingou. Todos recusaram pela mesma razão.
O erro científico do Marxismo foi ignorar no cálculo da “mais-valia” o quanto o trabalhador ganhava originalmente e quanto ganharia trabalhando sob a produtividade de uma fábrica. Marx e os marxistas não computam o ágio inicial para trabalhar numa fábrica exigido por Bill e todos os primeiros trabalhadores do capitalismo.
Pesou também na decisão do Bill, que não havia na época o que comprar com aquele dinheiro adicional. Não havia geladeiras, fogões, aquecedores, liquidificadores, lava-louças, ferro de passar roupas, aspiradores de pó, que as mulheres adorariam.
Mesmo fenômeno ocorre hoje com a geração Z, que prefere ficar sem tudo isso e aproveitar mais a vida como o Bill. Ou seja, convencer trabalhadores a trabalhar fora de casa, cumprindo um rígido horário, demoraria muitos anos a ocorrer. Meu palpite é que, muitos anos depois, as mulheres obrigaram os homens a trabalharem fora de casa, para poderem comprar os utensílios domésticos que elas queriam.
Quem criou o capitalismo foram as mulheres, não os inovadores da época, como figuram nos livros de história.
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Neste artigo acima, o Sr. Stephen narra a provável criação e o início da primeira empresa privada surgida no mundo, como as conhecemos hoje. A Companhia das Índias Ocidentais, embora muitos considerem a primeira empresa do mundo e não estejam errados nisso, mas ela era mais do que isso, era um braço dos reis, a Companhia das Índias Ocidentais tinha seu próprio exército, uma frota própria de navios e de portos, uma estrutura de poder que a igualava quase a um apêndice do estado. Mas essencialmente sua função era a de comercializar bens, e não os produzir.
Um dos méritos da Companhia das Índias Ocidentais, foi o de ter criado um dos conceitos básicos do capitalista que é a empresa com diversos investidores, berço do mercado de ações.
O Predomínio Econômico da Inglaterra
A Inglaterra já tinha um predomínio militar na Europa, apesar de não ter ganho formalmente a guerra Anglo-Espanhola (1585–1604) ali começa o predomínio militar inglês. Mas com o advento da revolução industrial começa o predomínio econômico da Inglaterra.
Seria proveitoso que nossos economistas, ao estudarem a história econômica, valorizassem esse período inglês pela geração de riquezas com a produção de bens e não o período da Companhia das Índias Ocidentais, que gerou riqueza apenas pelo comércio.
Fica aqui a pergunta: A revolução Industrial surge com a primeira empresa ou com a primeira máquina a vapor?
O desenvolvimento das máquinas da Indústria Têxtil.
Como já mostrado, John Kay cria máquinas que aumentam a produtividade, mas existia o nó na produção dos tecidos, que era a produção dos fios.Finalmente, em 1764, é dado o pontapé inicial em algo que revolucionou o setor.
Em 1764, James Hargreaves inventa a Spinning Jenny, uma máquina de fiar que revoluciona o setor. a Roca de Fiar, equipamento usado até então por milênios, é abandonada.

Em 1769 Ricardo Arkwright, aperfeiçoa a máquina de James Hargreaves substituindo a mão de obra humana pela força da água como força motriz para a máquina de fiar. Sua máquina era chamada de Water Frame. Inicialmente as máquinas criadas por Ricardo Arkwright eram movidas por cavalos, posteriormente ele passa a usar a força das águas.

Posteriormente, ele se associa a John Kay e consegue construir a primeira indústria têxtil como as conhecemos hoje, isso foi necessário, pois as máquinas tinham um tamanho que inviabilizava serem usadas em residências, como aconteceu durante séculos. A estrutura das indústrias começa ali.

Foto do Moinho Cromford, localizado na mesma localidade na Inglaterra, e onde ficava a primeira fábrica de fiação do mundo movida por rodas d’água.
Essa invenção acabou com o gargalo na produção de tecidos, que era a fabricação manual dos fios. De nada adiantavam os teares com enorme capacidade de produção sem os fios produzidos em escala industrial,
Ricardo Arkwright é alguém que deveria ser mais estudado no Brasil. As vilas, operárias, o horário de entrada e saída, o uso da mão de obra infantil, o uso da mão de obra feminina, tudo surge com ele. Podemos considerar esse cidadão o primeiro grande empresário da indústria, ou como se dizia antigamente, o primeiro capitão da indústria do mundo.

Em 1779, aconteceu algo que foi a virada de chave que permitiu que a Inglaterra enriquecesse como nenhuma outra nação e é algo pouco comentado, pelo menos nos livros didáticos aqui do Brasil. Samuel Crompton, aperfeiçoa as máquinas criada por James Hargreaves, e por Ricardo Arkwright unindo o melhor das duas e criando a “spinning mule“, permitindo produzir fios mais finos, mais resistentes, em maior quantidade e maior rapidez.

Essa máquina foi revolucionária e representou um enorme avanço do setor pelo seguinte, para tecer o tecido é preciso do fio, e até então o único avanço, foram as máquinas criadas por James Hargreaves e por Ricardo Arkwright. Apesar de todo avanço nos teares, como o feito em 1733, por John Kay, que inventou um tear manual mecânico, que aumentava em 5 vezes a produtividade de um tecelão, ou em 1785, com o reverendo Edmund Cartwright, que inventa o tear mecânico movido a vapor.
Ao criar uma máquina de fiar os fios, automatizando e otimizando o processo, melhorando as que já tinham sido inventadas, Samuel Crompton revolucionou efetivamente o setor, produzindo fios em quantidades absurdas e aumentando a produção de tecidos para novos níveis jamais vistos antes.

Em 1785, o reverendo Edmund Cartwright a partir de todas as ideias anteriores, inventa o tear mecânico movido a vapor. A partir de então, a Inglaterra aumenta absurdamente a produção de tecidos e a sua riqueza, podendo construir fábricas de tecido longe de rios, esse foi um dos motivos do poder econômico inglês na época.


A moderna indústria têxtil começa na Inglaterra e se espalha pelo mundo, tendo diversos exemplos no Brasil de sua influência.
Quem se der ao trabalho de olhar antigas e desativadas fábricas de tecidos do Brasil e observar suas construções, verá a presença da arquitetura inglesa nelas, todas denunciando suas origens.

Inaugurada por D. Pedro II em 1871



Apresentamos apenas alguns exemplos, espalhados pelo Brasil existem vários.
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